www.jornaldenegocios.ptjng@negocios.pt (Jornal de Negócios) - 23 fev 13:45

Respeito pelos heróis

Respeito pelos heróis

Se desobedecendo a instruções expressas um cônsul emite uma série de vistos salvando centenas de vidas humanas, então Aristides Sousa Mendes é um herói.

Em primeiro lugar há que perguntar o que é um herói? Respondemos que é alguém cuja vida e obra apreciámos, valorizamos positivamente, que apontamos aos nossos filhos como exemplo de coragem, de perseverança, de apoio desinteressado a uma causa nobre, a uma ideia que engrandece a humanidade, a uma propósito que melhora a vida dos seus concidadãos, que lhes devolve a liberdade e a dignidade.

O herói está historicamente do lado dos fracos contra os fortes, da razão contra a ignorância, da liberdade contra a opressão, da minoria contra a maioria. É ele que, empolgando outros, faz avançar a humanidade rumo a um futuro melhor. É coautor, dinamizador e impulsionador das grandes obras coletivas benéficas para a sua sociedade. O rosto da transformação positiva do mundo e da solidariedade com os desvalidos.

É neste conceito de herói que me revejo. Desta perspetiva a coragem física e a bravura só é atributo de herói se ele estiver a lutar por uma causa nobre.

Se um individuo se alista num exército colonial para combater o seu próprio povo em luta pela liberdade então não pode ser um herói. A brutalidade de que se orgulhava ainda o apouca mais e o afasta da condição heroica. A causa por que lutou era tenebrosa, estava do lado dos fortes contra os fracos, dos colonizadores contra os colonizados, dos opressores contra os oprimidos. Quem o daria como exemplo aos seus filhos? Que tipo de pessoa quer transformar os filhos em traidores? Ou em brutais máquinas assassinas? Como podemos sequer ir ao seu funeral?

Se um homem depois de esgotadas as vias pacíficas e na sequência de um horrível massacre de trabalhadores portuários decide com os seus companheiros iniciar uma luta armada contra forças muito superiores pela liberdade do seu povo, se dá a vida por esse ideal mas assegura a vitória devolvendo a liberdade aos guineenses, aos cabo-verdianos e até ao povo do país opressor, então Amílcar Cabral é um grande herói.

E se um homem se ergue em defesa da sua comunidade (a comunidade portuguesa), se tem coragem de dizer "o rei vai nu" quando muitos se calam, se tem a inteligência de o dizer de forma eficiente colocando a questão na ordem do dia, se têm a bravura de enfrentar ameaças e perseguições, se têm a persistência de continuar com calma e determinação depois de insultado, se a causa da igualdade que defende é nobre e justa, se a segregação e discriminação a que se opõe são iníquas e erradas, então Mamadou Bá é também um herói.

E pelos heróis pedimos simplesmente respeito.

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