www.publico.ptpublico.pt - 23 fev 05:26

Cartas ao director

Cartas ao director

A última página

Na sua crónica de sábado, João Miguel Tavares refere-se a “gente de esquerda a querer despedir-me porque não gosta do que escrevo”. Sou um dos que colocaram em causa a permanência deste fazedor de opinião na última página do PÚBLICO (assim como, de resto, do colunista que com ele alterna), não porque não gosto do que escreve, mas simplesmente porque entendo que essa página nobre do meu jornal de referência não deve ter ocupantes vitalícios, ou quase. Quanto ao que J.M.T. escreve, há que reconhecer que tem muitas vezes razão, outras tantas não, e frequentemente se fica pela traulitada menos consistente, embora com alvos certos. Escreve bem, argumenta com sagacidade e clareza, só se ressente do natural problema de encontrar assunto dia sim, dia não. Em regra, mesmo se discordo, gosto de o ler. A crónica a que me refiro, por exemplo, merece aplauso de todos os pontos de vista. O politicamente correcto pode transformar-se num insidioso instrumento de opressão, e ele põe isso em evidência da melhor maneira. Só que já lá vão demasiados anos em que encontro, à mesma esquina, as mesmas pessoas...

António Monteiro Fernandes

Portal Único do Cidadão

Li, com muito interesse, a entrevista a Alexandra Leitão, ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública. O lançamento do Portal Único do Cidadão, a revitalização do INA e a aposta na formação e renovação dos funcionários públicos são iniciativas de aplaudir. Precisamos, rapidamente, de uma administração moderna, competente e eficiente.

Não se admite mais que um simples e normalíssimo pedido de reforma demore 10, 11 meses ou mais e que os pedidos de informação em emails dirigidos à Segurança Social (e outros serviços do Estado) não mereçam uma simples resposta ao cidadão. Espero que as medidas apresentadas na entrevista permitam a vir constatar, de forma transparente, que o nosso país começa a ter uma gestão pública baseada em informação rigorosa e credível e no respeito dos cidadãos. Ou seja, por exemplo, que passemos a ter informação sobre quantos emails são dirigidos por mês a um determinado serviço, qual o prazo médio de resposta, quantos estão ainda sem resposta há mais de 10 dias úteis, etc.. Nessa altura, poderemos definir objectivos de produtividade e desempenho à nossa administração pública e começar a ter melhor Estado.

António Vieira, Porto

Ministra da Saúde

Em jeito de fazer o ponto da situação pandémica que se vive em Portugal, apetece-me pensar e analisar, com inteira independência política, das pessoas que têm resistido desde o início do surto pandémico, e que estão à frente de cargos no governo. E neste grupo saliento, sobremaneira, a ministra da Saúde, que tem realizado um trabalho a todos os títulos de louvar com responsabilidade, competência profissional como médica que é, sensibilidade e muito humanismo em todas as suas decisões.

Poucas pessoas teriam, por certo, a resiliência governativa à frente de um ministério que sempre teve problemas, ainda por cima em momentos pandémicos como os que vivemos. Em contraponto, não vejo a mesma entrega a esta causa da parte da bastonária dos enfermeiros ou do bastonário dos médicos, bem pelo contrário. Sempre que se pronunciam, fica no ar uma opinião destrutiva em tudo o que diga respeito à saúde. 

José Luís Alves, Lisboa 

E a Torre de Belém?

Incrédulo, li que um deputado socialista propôs a destruição do Padrão dos Descobrimentos. Terá perdido a noção da proporcionalidade? Preconizará assim a ruína da Torre de Belém? Desejará então dissolver a memória do passado e emendar a História? Os conceitos vão diacronicamente evoluindo, mas as marcas devem permanecer. Os horríveis campos de extermínio, como Auschwitz, por exemplo, devem permanecer, para que os crimes passados se não repitam. 

José Sousa Dias, Ourém

Marcelino da Mata

Tem sido grande a polémica a respeito do recentemente falecido militar Marcelino da Mata. Para uns ele foi um herói. Para outros um reles traidor. Não é caso único na História de Portugal. Por exemplo, já no século XVI, Cristóvão de Moura era para os portugueses um traidor. Mas em Espanha era considerado um fiel servidor. Tal como Miguel de Vasconcelos no século XVII. E o chamado “Tiradentes” no século XVIII? Para os brasileiros era um herói mas, para nós, foi um traidor. O próprio Duque de Bragança (futuro rei Dom João IV) para os espanhóis foi um traidor e para nós o Restaurador da Independência. Por isso, ser considerado herói ou traidor depende, não dos próprios, mas de quem os rotula e qualifica. Por convicção ou por interesse.

Edgar da Mata, Queluz

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