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Haja algum Norte, no meio deste desnorte

Haja algum Norte, no meio deste desnorte

Dizia há dias um célebre dirigente desportivo, bem à moda do Norte, que o sr. secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Rebelo, tinha morrido.

Se por um lado estas duras palavras apanharam desprevenidos os mais alheios à realidade do setor do desporto em Portugal, a verdade é que personificam o sentimento geral de todos aqueles que, diariamente, dão o que têm (e muitas vezes o que não têm) para que o acesso à prática desportiva seja uma realidade no nosso país.

Volvido quase um ano desde o início da pandemia da covid-19 que veio colocar a nu os vários problemas crónicos e estruturais dos diversos setores de atividade, são inúmeras as análises que podem ser feitas em torno das medidas adotadas e nas respostas dadas (ou falta delas) a muitos dos problemas que com ela surgiram. No entanto, este (des)governo, que lidera o país como uma manta de retalhos, num verdadeiro "puxa a manta daqui e destapa acolá", deixou ao abandono e à sua sorte os setores do desporto e da juventude, colocando em causa o seu futuro e a sua sobrevivência, uma vez que não receberam ainda qualquer tipo de apoio.

O Estado tem como função promover o desporto, contudo, tal como temos vindo a ser habituados pelos sucessivos governos, encontraram forma de "sacudir a água do capote", delegando nas federações desportivas essa função, o que por si só poderia ser uma excelente estratégia, desde que garantissem a transferência das respetivas verbas necessárias ao bom funcionamento deste setor. Ora, de forma natural, o subfinanciamento das federações e, consequentemente, dos clubes desportivos, rapidamente se viu agravado após o início desta pandemia, com a quebra de receitas próprias dos clubes, colocando em sobressalto e sem amparo os dirigentes das várias coletividades que, quando mais precisam, esperavam que o Estado cumprisse o seu desígnio, sob pena de verem encerradas as suas portas.

Além da falta de tato político e de poder de influência no seio do Governo, o secretário de Estado da Juventude e do Desporto abandonou os portugueses, morreu politicamente e com ele deixou o desporto nos cuidados intensivos. Sabemos que o sr. secretário de Estado está ligado ao ventilador socialista e como tal, provavelmente, continuará a sobreviver. Já o setor tutelado, por mais que sejamos crentes, corre o risco de morrer, sem que cheguemos a tempo de o ressuscitar.

*Presidente da Juventude Popular

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