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C-U-L-T-U-R-A

C-U-L-T-U-R-A

Recentemente, numa conferência organizada pelo JN em Matosinhos, o historiador Joel Cleto introduziu no debate um dado muito revelador: no seu conjunto a atividade cultural move mais dinheiro do que a indústria automóvel.

Esta afirmação rebate os argumentos dos que acham que a Cultura é um parente pobre na sociedade, uma espécie de luxo que deve ser abandonado quando há crise económica ou secundarizado perante outras áreas.

As visões liberais e populistas sobre a Cultura, que exigem a limitação dos apoios públicos e acham que, também neste setor, deve imperar o mercado ignorando o enorme retorno desses apoios para a sociedade e para a economia.

A pandemia veio trazer à luz do dia, de forma abrupta e cruel, décadas de problemas ainda por resolver na Cultura.

Tem sido feito um esforço pelo Governo para corrigir, estruturalmente e em emergência, as debilidades da área cultural que afetam centenas de entidades culturais e milhares de trabalhadores. Não poderemos mais aceitar, depois desta crise, os níveis de precariedade de muitos trabalhadores culturais nem esperar que se continue a exigir a profissionais altamente qualificados que trabalhem (tantas vezes) por "amor à arte", sem o justo e devido reconhecimento dos direitos, que existem noutros setores e são comuns nos nossos parceiros europeus.

Muitos dos mecanismos de que o país vai dispor no âmbito do Programa de Recuperação e Resiliência podem e devem ser operacionalizados em benefício da área cultural. Os orçamentos municipais devem traduzir a importância da Cultura, nas suas diferentes aceções, e a riqueza que aportam às comunidades e ao país.

A política cultural de Matosinhos, um legado que me orgulho de ter recebido, merece todo o meu empenho. Durante a pandemia, mantivemos os apoios financeiros, assumimos os contratos já existentes e adaptamos, tanto quanto possível, a produção e fruição culturais aos meios digitais - em alguns casos, como o do festival literário LeV, com um enorme sucesso.

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Fruto de um trabalho exigente, coerente e consistente, as políticas culturais de Matosinhos têm permitido criar verdadeiras instituições nacionais e internacionais, como a Orquestra de Jazz de Matosinhos ou a Casa da Arquitetura.

Dou estes exemplos tão próximos de mim porque acredito que podemos ainda fazer melhor, se todos congregarmos esforços para salvar o setor cultural e apostarmos no seu relançamento pós-pandemia.

É a altura de assumirmos que a Cultura é um dos pilares mais fortes do nosso desenvolvimento.

*Presidente da Câmara de Matosinhos

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