www.dinheirovivo.ptdinheirovivo.pt - 14 jan 00:53

Gerações mais novas e o futuro do comércio local

Gerações mais novas e o futuro do comércio local

Está aí um previsível novo confinamento. A restauração e similares voltam a fechar, à semelhança do que aconteceu em março/abril de 2020, com os estabelecimentos a funcionar em regime de take-away e entregas ao domicílio (delivery). A dar-se, a grande e decisiva diferença entre a necessidade do confinamento geral de agora e o confinamento da última primavera, são as já reveladas consequências catastróficas para os pequenos e médios empresários que sobrevivem a custo. Em menos de um ano foram obrigados a encontrar soluções alternativas. Reinventaram-se com grande eficiência e até dever cívico, se admitirmos frontalmente e sem necessidade de encontrar bodes expiatórios para justificar os 10 mil casos diários que nos colocam a todos no pior momento desta pandemia. Vamos, mais uma vez, correr atrás do prejuízo? Veremos....

O novo modelo de atividade económica único possível face às contingências impostas - acabou por salvar negócios de uma vida, impedindo despedimentos e acelerando à velocidade cruzeiro o que há muito já se sabia ser inevitável - o recurso às mais valias das ferramentas online para gerar atividade económica. Este novo modelo veio para ficar, mesmo quando a pandemia passar a ser só a memória de um mau episódio da nossa História. A realidade redesenhada pelo take-away e delivery que, uma pandemia à escala mundial depois, passou a ser o braço armado da luta pela sobrevivência dos restaurantes e similares e, no futuro, mesmo quando sentar à mesa num restaurante for prática retomada, vão continuar a ser fundamentais. Recorde-se que nos últimos 10 meses nasceram negócios que assentam exclusivamente naquelas práticas.

Uma das melhores soluções para o pós-pandemia passa pela criatividade dos mais jovens ao serviço dos mais velhos e do comércio local. Na sua maioria são jovens com ligações familiares aos proprietários, apoiando-os no uso das novas ferramentas online e na implementação de novas práticas de captação de clientes. Nesta partilha de saberes, entre os jovens que acompanham a digitalização da economia e entendem as ferramentas que estão a sua disposição e os mais velhos que sabem qual a essência do negócio, há um espaço essencial que a pandemia trouxe a descoberto. Esse espaço revela o caminho para salvar as empresas e proteger os empregos e por isso deve ser preenchido com mais variantes de apoio aos agentes económicos; do Estado porque não!

Das redes sociais e plataformas digitais de entrega e divulgação, dos modelos de take-away ou delivery, do marketing e das vendas online; sabem os mais jovens! Aqueles que a sociedade precisa de chamar a intervir com uma perspetiva de futuro para dar continuidade aos negócios de uma vida. Que não se feche uma porta de um restaurante porque o proprietário não tem departamento de marketing ou de comunicação integrado na dinâmica da sua empresa. Que não se desviem milhares de pessoas para o desemprego porque não houve capacidade de reinvenção e modernização. Que esta oportunidade de regresso ao comércio local, à proximidade controlada e à personalização do serviço não volte a definhar com a desculpa de que os novos modelos de negócio não são viáveis porque não houve tempo nem capacidade de adaptação. Há sempre tempo! Há sempre um impulso genuíno de adaptação, inscrito no ADN dos portugueses.

Paulo Veríssimo, presidente da Associação Empresarial de Sintra

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