24.sapo.ptGuilherme Duarte - 14 jan 21:44

Mais uma voltinha, mais um confinamento

Mais uma voltinha, mais um confinamento

Lá vamos nós para mais um confinamento. Já estamos habituados, já não custa tanto, mas há algumas diferenças relativamente ao do ano passado....

Bem, está na hora de ir comprar papel higiénico e fermento de padeiro. E vinho, não esquecer o vinho. Mais uma voltinha no carrossel do confinamento. Fomos apanhados de surpresa, não é verdade? Como é que foi acontecer uma coisa destas, um aumento tão grande casos? Terá sido pelo relaxamento das medidas no Natal? Se calhar foi isso, não sei. Ao menos este sacrifício todo, com tantos infectados e mortos e novo confinamento, foi para salvar o Natal. Se tivesse sido para salvar o Halloween ou o Carnaval tinha sido só estupidez. E é ter pensamento positivo que com a possível ruptura do SNS ainda vamos ter cá os Jogos Olímpicos para premiar os profissionais de saúde.

Neste novo confinamento há algumas novidades como o facto de as escolas se manterem abertas. Engane-se quem ache que esta medida foi tomada tendo em conta bases científicas. Esta medida foi feita devido aos milhares de pais que iriam suicidar-se caso tivessem de estar em teletrabalho com os petizes ranhosos a guinchar pela casa outra vez.

Outra medida curiosa é o facto de as celebrações religiosas serem permitidas. Muitas pessoas do meio artístico têm-se insurgido, apontando a incoerência de se poder ir à missa, mas não se poder ir ao teatro. É um erro achar que há aqui qualquer tipo de incongruência, já que há muitas mais razões para deixar as pessoas irem à missa em vez de irem ao teatro. Primeiro, a média de idades das pessoas que vão à missa é maior e, por isso, em caso de haver surtos, a probabilidade de as pessoas morrerem mais rapidamente é maior, não ocupando assim camas no SNS durante muito tempo. Depois, na missa, as pessoas já estão habituadas a sair ordeiramente quando comungam, sendo que agora o sangue de cristo será substituído por álcool gel e em vez de uma hóstia o padre dá um pack multivitamínico.

Nem vou falar de que as igrejas são muito mais arejadas e como têm um pé direito maior, o coronavírus fica lá em cima junto aos tectos ornamentados e dos anjinhos nus. Outro argumento que sustenta esta medida é o facto de os padres estarem protegidos porque, aparentemente, as crianças não são veículos de transmissão do vírus, mesmo os padres não usando preservativo porque é pecado.

Bem, mas o único erro aqui é que a distinção entre missa e teatro é estranha, já que são ambos baseados em obras de ficção.

Sugestões:

Para ver: Schulz Saves America
Para não ver: O Clube

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