jornaleconomico.sapo.ptjornaleconomico.sapo.pt - 14 jan 17:45

"Manter a pólvora seca". Houve membros do BCE que não queriam dar tanto poder de fogo ao PEPP

"Manter a pólvora seca". Houve membros do BCE que não queriam dar tanto poder de fogo ao PEPP

Minutas da última reunião sobre política monetária do Banco Central Europeu demonstram que não houve unanimidade no Conselho de Governadores em relação ao aumento de 500 mil milhões de euros do Programa de Compra de Emergência Pandémica.

Alguns membros do Conselho de Governadores, órgão máximo de decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), defenderam que o reforço do Programa de Compra de Emergência Pandémica (na sigla inglesa, PEPP) em 500 mil milhões de euros seria demasiado porque o banco central teria ainda poder de fogo suficiente para comprar ativos com base em decisões anteriores.

As minutas da última reunião de política monetária do banco central, realizada entre os dias 9 e 10 de dezembro, foram divulgadas esta quinta-feira e mostram que, apesar de um consenso alargado sobre a relevância do PEPP para aliviar as condições de financiamento, houve discórdia quanto ao aumento do seu volume em meio bilião de euros.

O BCE anunciou então o reforço do PEPP, programa de compra de ativos lançado em março de 2020, para um envelope total de 1,85 biliões de euros e prolongou o seu prazo até março de 2022.

Ora, a decisão sobre o aumento do poder de fogo deste instrumento não foi unânime, havendo membros do Conselho de Governadores, onde tem assento o Governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, que defendiam um aumento “moderado”.

Estes membros, que não são discriminados nas minutas, argumentaram que “ainda havia espaço significativo para compras [de ativos] ao abrigo de decisões anteriores” e que a elevada incerteza justificava “manter alguma pólvora seca” para abrir espaço para ajustar o PEPP no futuro.

Houve também quem tomasse uma posição contrária — a de um aumento do PEPP mais folgado. O aumento de 500 mil milhões de euros, que prevaleceu após uma reunião tensa, foi considerado “insuficiente” por alguns membros do Conselho de Governadores para aliviar as condições de financiamento e colocar a inflação na rota da meta do mandato do BCE, cujo objetivo é ter uma taxa inflação abaixo, mas próxima dos 2%.

Na conferência de imprensa que se seguiu ao anúncio da decisão do BCE, a presidente do banco central, Christine Lagarde, foi imediatamente questionada sobre se o processo de recalibragem dos instrumentos de política monetária teve a unanimidade do Conselho de Governadores. Na resposta, a francesa foi evasiva e explicou apenas porque é que foi decidido prolongar o PEPP por mais nove meses.

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