visao.sapo.ptluisdelgado - 14 jan 22:45

Visão | Os atos falhados do Governo

Visão | Os atos falhados do Governo

Falhado o confinamento que era necessário, global e duro, repetiu-se o erro no apoio às pessoas, famílias e empresas. É escasso, ligeiro e ineficaz. É um programa à medida do país. Pequenino, sem profundidade, e poupadinho.

No espaço de 24 horas o Governo teve dois atos falhados. Um confinamento que não é, e um apoio económico miserável. Os atos falhados tratam-se nos sítios certos, e no tempo oportuno. Os portugueses, rapidamente, vão começar a perceber que não estão protegidos, em nenhuma circunstância. Os números do Covid são e serão avassaladores, as mortes sucedem-se, e a rutura do SNS está em curso. Não é iminente, já foi. Doentes Covid em urgências gerais, por falta de equipas médicas, horas de espera, ambulâncias cheias sem poderem deixar os doentes, e todas as outras patologias abandonadas, ou adiadas, mortes não Covid a atingir números insustentáveis, e um infindável número de situações catastróficas.

Repetiram e renovaram-se algumas das medidas de Março, o que era o mínimo, e pouco ou nada se acrescentou. Se era para repetir as medidas, o ministro da Economia deveria ter simplicado: tudo o que fizemos em Março repete-se agora, com esta lista de exceções. Assim é rápido. Mais ou menos como fez o primeiro ministro. Tudo igual, com a exclusão destas dezenas de casos. Para o Governo, na verdade, o que se passa agora é apenas uma questão de perspetiva: já começa a ser normal ter 10 mil contagiados por dia, e aceitável morrerem centenas de pessoas por dia. Nada de novo, para o Governo.

A realidade vai mostrar o falhanço destes dois atos: o país a morrer, de todas as formas possíveis. Pandemia, incapacidade de acudir às outras patologias, e empresas a fechar. Nessa altura, então, é preciso responsabilizar o Governo. E para isso precisamos de um Presidente já eleito, que reassuma o seu papel em pleno, e uma Assembleia da República que se concentre no essencial. A AR está muito longe de exercer o seu papel fundamental, que é escrutinar os atos do Governo, em especial os falhados. Se tudo correr mal, como vai acontecer, tem de existir uma maioria na Assembleia que ponha o Governo no seu lugar. Infelizmente temos de esperar pelo pior. Não era suposto.

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