observador.ptobservador.pt - 14 jan 21:49

Associação Zero insiste na eliminação de voos noturnos em Lisboa

Associação Zero insiste na eliminação de voos noturnos em Lisboa

Presidente da associação ambientalista Zero insistiu que a existência de voos noturnos no Aeroporto de Lisboa "é completamente inadmissível"...

Esta quinta-feira, o presidente da associação ambientalista Zero insistiu que a existência de voos noturnos no Aeroporto de Lisboa “é completamente inadmissível” e salientou que “o ruído mata”.

As pessoas podem pensar ‘eu já estou habituado ao ruído’, mas o nosso cérebro mesmo sem sermos acordados é perturbado pelo ruído dos aviões”, defendeu Francisco Ferreira, falando numa reunião da Comissão Permanente de Ambiente e Qualidade de Vida da Assembleia Municipal de Lisboa (AML)

O presidente da Zero foi ouvido no âmbito de uma petição que deu entrada na AML em 2019 intitulada “Aeroporto da Portela: queremos ser informados e ouvidos sobre os seus impactos”. Francisco Ferreira realçou que as medições feitas pela Zero indicam que o ruído ultrapassa os limites estabelecidos, sendo que só nas medições feitas em março de 2020, já durante a pandemia de Covid-19, é que se registou um cumprimento dos valores.

Os limites são de 65 decibéis durante o dia e 55 decibéis no período noturno, disse. Porém, as medições feitas pela Zero em julho de 2019 indicavam que, na zona do Campo Grande, aqueles valores foram ultrapassados em 10 decibéis, tanto durante o dia como à noite.

No nosso entender basta um movimento às 03h00 ou às 04h00 para perturbar o sossego de quem esteja na linha de aterragem ou de descolagem do avião”, vincou o presidente da Zero, reiterando que os voos noturnos não podem continuar.

“Para nós, a medida mais urgente passível de ser executada sem mínimo de problema, ainda para mais em tempos de pandemia, é o terminar voos noturnos e o respeitar o limite do ruído no período noturno entre as 23h00 e as 07h00”, insistiu.

Apesar de ter concentrado a sua intervenção nos problemas de ruído causados pelo aeroporto, Francisco Ferreira notou ainda que as concentrações de “partículas finas” também são prejudiciais à saúde e são “extremamente elevadas” no corredor aéreo entre as Amoreiras e o aeroporto.

Em fevereiro do ano passado, o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina (PS), afirmou que não ia tolerar o regresso dos voos noturnos após as obras de expansão do Aeroporto da Portela.

O ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, considerou depois que esta é “uma exigência justa” de Fernando Medina.

Caminharmos para zero voos no período noturno” é o objetivo, afirmou o ministro.

Ainda segundo Pedro Nuno Santos, as obras no aeroporto podem permitir dar condições para a “eliminação dos voos noturnos”, nomeadamente evitando atrasos nos voos e até anulando movimentos noturnos que estão previstos na lei.

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