www.dinheirovivo.ptdinheirovivo.pt - 14 jan 00:57

Um obrigado ficava bem

Um obrigado ficava bem

A história escrita em 2020 começou com o aparecimento da pandemia causada pelo coronavírus e terminou com as primeiras doses de vacinas contra a covid-19. Terminou com a sensação de que há luz ao fundo do túnel. A administração da vacina aos cidadãos europeus, depois de sucessivos confinamentos e restrições, da multiplicação de casos de infetados e da morte prematura de tantas pessoas, leva-nos a olhar para estas vacinas com esperança e orgulho. Orgulho pela cooperação entre povos enquanto chave para o fim desta vida de distanciamento físico que colapsou a economia e as pessoas.

Se "covid-19" é a palavra de 2020, desejo que "cooperação" seja a palavra de 2021.

Assistimos, em Portugal, na Europa e no Mundo, à crescente tendência do populismo no discurso político. O discurso fácil e miserabilista dos protagonistas da falta de preparação, competência ou mesmo decência, já nem sequer advém apenas das forças políticas radicais que se aproveitam do descontentamento das pessoas para dar voz à sua demagogia.

Populismo este que, num Mundo assolado por uma pandemia, apregoou a globalização e a abertura de fronteiras como causas da crise de saúde pública. Populismo este que apontou o caminho do isolacionismo como a solução para o fim do problema global que vivemos. Assistimos a uma crescente preocupação com a abertura do comércio global e tivemos, inclusivamente, líderes (teoricamente) moderados e impulsionadores da internacionalização a proporem medidas protecionistas e até a falarem de reshoring. Da Europa aos EUA. Com Emmanuel Macron a assumir, como objetivo pós-pandémico, a independência da França nos setores da tecnologia e da indústria, e Joe Biden, um internacionalista, a lançar um plano de apoio à compra de bens e serviços americanos.

Estou convicto de que nada é mais errado. A covid-19 não atingiu o mundo todo por vivermos num mundo globalizado. As fronteiras não são capazes de conter pandemias. Com mais ou menos globalização, houve a "crise russa" de 1889 e a "gripe espanhola" de 1918. Não nos esqueçamos: as fronteiras são mais do que barreiras físicas; são relações. As barreiras físicas até podem ser temporariamente fechadas mas as relações não.

Se hoje, com a chegada das vacinas, podemos vislumbrar a luz ao fundo do túnel, isso deve-se à globalização, à cooperação e, no caso de Portugal, à União Europeia. Nenhum português se deixará enganar pela tentativa de aproveitamento político do nosso Governo. O que seria de cada um de nós senão fosse a União Europeia? Temos, mais do que nunca, motivos para nos orgulharmos de sermos europeus - um projeto que pretende ser de paz e cooperação, objetivos que se concretizam na liderança da Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

A disponibilização da vacina a todo o continente europeu deve-se à União Europeia. Prova disso são os seis contratos celebrados entre a Comissão Europeia e a indústria farmacêutica para a aquisição de cerca de 1.600 milhões de vacinas assim que forem aprovados todos os seus ensaios clínicos que garantam a sua segurança e eficácia. São estas vacinas que têm dado, nos últimos dias, tanto alento aos profissionais de saúde desgastados, esperança às populações mais vulneráveis e alegria a cada um que tem fé na cooperação.

Há sempre diferentes caminhos a percorrer. Podemos optar pelo discurso miserabilista e ignorante de culpar a China, o comércio livre e a globalização. Continuar na dicotomia entre o populismo demagógico de defender o protecionismo ao mesmo tempo que desesperamos à espera da "bazuca financeira" da União Europeia. Por outro lado, podemos escolher o caminho da cooperação, da solidariedade e da paz, do desenvolvimento económico e social mas também da gratidão porque uma coisa é certa: à União Europeia, um obrigado ficava bem.

João Pedro Louro, secretário-geral da JSD

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