visao.sapo.ptvisao.sapo.pt - 14 jan 17:59

Visão | Emergência à vista: A cada três dias com 10 mil novos infetados, entrarão 450 doentes graves nas UCI

Visão | Emergência à vista: A cada três dias com 10 mil novos infetados, entrarão 450 doentes graves nas UCI

Se o número diário de novas infeções não diminuir, a partir de 23 de janeiro poderemos ter uma semana com 1000 novos internamentos em UCI. A previsão é do presidente do Colégio da Especialidade de Medicina Intensiva da Ordem dos Médicos

Segundo os dados da Direção Geral da Saúde (DGS), nas últimas 24 horas registaram-se em Portugal 10 698 novos casos e 148 mortes por SARS-CoV-2. É o segundo dia consecutivo com mais de 10 mil novas infeções. desde dia 6 que por seis vezes eocorrem dias acima de 9400 novos casos.

São números que preocupam o presidente do Colégio da Especialidade de Medicina Intensiva da Ordem dos Médicos, José Artur Paiva, que considera a situação grave e afirma, “a manterem-se os números que estamos a ter, de cerca de 10 mil novos casos por dia, durante uma semana completa, ou seja, até à próxima quarta feira, é expectável que a semana que começa dez dias depois vá ter cerca de 1000 admissões em medicina intensiva”.

Segundo a premissa que “sete a dez dias após o aparecimento de um determinado número de casos, em média, em Portugal cerca de 1,5% desses doentes necessita de internamento em medicina intensiva”, segundo José Artur Paiva, poderemos ter cerca de 150 novos internamentos em UCI, todos os dias a partir de 23 de janeiro.

Da mesma opinião é Aníbal Mainho, diretor da Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital de Santo António, no Porto, que vai mais longe, afirmando que podemos estar à beira de uma “catástrofe em termos sanitários”. Segundo o intensivita, “as pessoas têm de perceber que estamos perante uma emergência sanitária grave e que a única medida de controlo que temos, antes que a situação se torne incontrolável, é confirnarmos de uma forma muito séria, sem esquemas para tentar fugir ao confinamento”.

Caso o cenário traçado por ambos os clínicos se confirme, o diretor da Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital de Santo António acredita que a solução mais simples para arranjar mais vagas terá de passar por retirar das UCIs os doentes que se encontrem sem ventilação invasiva e com quadros clínicos que possam ser seguidos por pessoal menos diferenciado.

Já José Artur Paiva, além de ressalvar que a percentagem de 1,5% representa um valor médio e que, para tal previsão se confirmar, é necessário que nada mude, prefere não avançar estimativas quanto ao número total de doentes que poderão estar internados em UCI no final do mês, pois considera muito importante ter em conta também os que, entretanto, terão alta.

Esta quinta-feira, estão internados 4 368 doentes com Covid-19, ou seja, mais 128 do que no dia anterior. Já nos cuidados intensivos há agora 611 pessoas – mais 15 que na véspera. Neste momento existem cerca de 1200 camas de UCI disponíveis em Portugal, 596 destinadas a Covid-19, sendo que 80% a 85% estão já ocupadas. “Aquilo que nos pediram ontem foi que tentássemos abrir até às 750 camas de UCI dedicadas a Covid-19, vamos ver até onde conseguimos ir”, revela Aníbal Marinho. Quanto ao tempo médio de internamento em UCI, é de cerca de três a quatro semanas.

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