www.jn.ptjn.pt - 14 jan 00:35

Nixon

Nixon

Os recentes acontecimentos do assalto ao edifício do Capitólio, em Washington, vieram evidenciar o perigo e o risco quando se brinca, na política, ao populismo.

Desde logo, também aqui, temos de saber distinguir o populismo de ser popular. Depois compreender que a forma como foi desenvolvido o ataque, enquanto estavam reunidos em sessão conjunta o Congresso e o Senado norte-americano, validando os resultados que permitem a Joe Biden assumir a presidência, evidenciam como o comportamento manipulado de uma minoria de eleitores pode resultar num atentado às instituições democráticas.

Alexis de Tocqueville, no seu livro "Democracia na América", sabia bem a importância dos princípios implementados, pelos pais fundadores, na política americana, os quais vão ter muita dificuldade, com estes exemplos, em se fazerem credibilizar aos olhos do mundo.

Sim, porque eram imagens de Washington e não da Venezuela de Nicolás Maduro.

O presidente Donald Trump parece, assim, ser mais um caso do foro da saúde mental do que da política e a sua não comparência na tomada de posse do novo presidente só vem demonstrar como não soube compreender o seu tempo nesta América do século XXI.

Utilizou as redes sociais até à exaustão acabando banido, pelas mesmas, por mentir reiteradamente e falsificar a realidade.

A sua divisa de uma "América grande outra vez" acabou por ter um efeito contrário ao transformar negativamente, tanto nas suas relações bilaterais como multilaterais, a política externa norte-americana.

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No seu discurso de aceitação de presidente, definiu como grandes objetivos para o seu mandato reestruturar o Estado, transferindo o poder de Washington para o povo e descrevendo os Estados Unidos como um país em declínio, prometendo protecionismos e uma política centrada no interesse nacional.

Resta, pois, esperar que, com o seu exemplo, se consiga aprender alguma coisa no sentido de afastar esta política do medo assente num desejo egoístico.

Em Portugal, como sempre e com atraso, estamos a começar a sentir esta pressão populista vinda quer da extrema-esquerda quer da extrema-direita.

Esperemos que os portugueses saibam compreender a diferença porque, em democracia, temos sempre soluções quando não estamos satisfeitos com os nossos políticos.

Quanto a Trump, sai sem deixar obra e sem qualquer saudade. Deixa-nos ainda com a convicção que conseguiu reabilitar Richard Nixon e de provar que era possível fazer muito pior.

Resta-nos desejar que chegue rapidamente o dia 20 de janeiro e com ele o fim deste pesadelo.

God save America!

*Professor universitário de Ciência Política

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