www.jornaldenegocios.ptjng@negocios.pt (Jornal de Negócios) - 13 jan 09:20

O risco do aumento da desigualdade

O risco do aumento da desigualdade

O efeito prolongado da pandemia tem muitas consequências, e uma delas é o risco do aumento da desigualdade, pois diferentes segmentos da população têm estado a sofrer de diferentes maneiras o impacto económico-financeiro desta crise atual.

Os que tinham uma remuneração essencialmente fixa, e que mantiveram os seus empregos, não só mantêm o seu rendimento, mas também, na grande maioria dos casos, acabam por beneficiar ao ver aumentar as suas poupanças (o consumo diminuiu devido às restrições e confinamentos durante a maior parte do último ano, permitindo às pessoas poupar mais). Neste caso, temos um segmento de população que até se poderá dizer que beneficiou com a crise (obviamente apenas em termos de poupança, não a nível da vida social, saúde, entre outros).

Por outro lado, vários dos setores mais afetados por esta crise têm, em geral, um número elevado de colaboradores com rendimentos mais baixos, pela natureza do negócio e perfil dos trabalhadores. Nestes casos, embora os mecanismos de apoios tenham apoiado muitos trabalhadores, a realidade é que não cobrem todas as pessoas que não estão a trabalhar.

Mas mesmo entre os que estejam a ser apoiados por mecanismos como o lay-off, há segmentos em que uma parte da sua remuneração era mais variável, que não está a ser compensada. Por exemplo, na área da restauração, na qual as gorjetas são uma parte relevante da remuneração de quem atende à mesa, e que agora não existem ou são diminutas. Outras situações incluem aqueles que vivem essencialmente de remunerações variáveis. Um profissional liberal, como um dentista com o seu consultório, ganha “à peça”. Se menos pessoas estão a ir ao dentista e se os encargos de prestar o serviço aumentaram com a questão sanitária, estes dentistas estão a perder uma parte da sua remuneração.

Poderia falar de mais casos, como os que perderam um segundo emprego e que não estão a ser compensados por essa perda de remuneração, pois não estão desempregados, podendo fazer uma análise mais profunda, o que não é possível num curto artigo.

Mas ao contrário de uma crise mais “tradicional”, em que a generalidade das pessoas perde rendimento (com exceções que confirmam a regra), neste caso há muitos claros ganhadores e muitos claros perdedores, aumentando a desigualdade na sociedade. A perceção que tenho da valorização de casas do segmento superior (excluindo da análise as casas de luxo) e da redução da valorização das casas mais modestas pode ser um sinal dessa desigualdade. n

Gestor e Docente Universitário

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