observador.ptobservador.pt - 13 jan 17:03

Brexit. Supermercados britânicos confirmam falhas no abastecimento à Irlanda do Norte

Brexit. Supermercados britânicos confirmam falhas no abastecimento à Irlanda do Norte

Efeitos do Brexit já se sentem na Irlanda do Norte, onde há controlos adicionais face ao resto do Reino Unido. Após imagens de prateleiras vazias circ...

As principais redes de supermercados do Reino Unido alertaram esta quarta-feira que o abastecimento de produtos alimentares na Irlanda do Norte está sujeito a interrupções devido a novos controlos impostos pela saída do Reino Unido da União Europeia (UE).

Na sequência da publicação de fotografias na imprensa e redes sociais mostrando prateleiras vazias, os presidentes-executivos da Tesco, Sainsbury’s, Asda, Iceland, Co-Op e Marks & Spencer escreveram ao governo confirmando o risco de “perturbações significativas” a menos que sejam tomadas medidas urgentes para corrigir um sistema “inviável”.

O Reino Unido deixou definitivamente o mercado único europeu no final de 2020, depois do período de transição pós-‘Brexit’, que foi substituído por um acordo de comércio que entrou em vigor a 01 janeiro e que permite a troca de bens entre empresas britânicas e da UE sem quotas ou taxas aduaneiras. Mas o novo sistema também introduziu complicações novas, como despesas e burocracia, incluindo declarações alfandegárias e controlos nas fronteiras.

A Irlanda do Norte continua alinhada com o mercado europeu devido os termos do acordo para o ‘Brexit’, que tentou manter a fronteira aberta com a Irlanda, membro da UE.  Porém, também significa que há controlos adicionais entre a Irlanda do Norte e o resto do Reino Unido, incluindo declarações aduaneiras para mercadorias e certificados sanitários de exportação para produtos alimentares de origem animal.

As duas partes concordaram num período de tolerância de três meses, até 01 de abril, e seis meses para certos produtos refrigerados, mas as empresas do setor dizem que já estão a sofrer com o peso da burocracia.

Ian Wright, presidente-executivo da Federação de Alimentação e Bebidas Britânica, disse esta quarta-feira a uma comissão parlamentar que a Irlanda do Norte corre o risco de “passar de televisão a cores para preto e branco” em termos de escolha de alimentos.

O Governo britânico disse num comunicado que “uma nova equipa dedicada já foi criada e vai estar a trabalhar com supermercados, a indústria de alimentação e o Executivo da Irlanda do Norte para desenvolver formas de agilizar a circulação de mercadorias”.

Embora os receios de enormes filas de camiões junto aos portos marítimos do Canal da Mancha que ligam Inglaterra e França não tenham se concretizado durante o período tranquilo de Natal e Ano Novo, o Governo não exclui atrasos à medida que o volume de tráfego aumenta.

Wright disse que, para uma grande empresa britânica que ele conhece, o processo de exportação para a UE que antes costumava levar três horas agora leva cinco dias, e pediu que Londres e Bruxelas tomem medidas adicionais para remover as barreiras comerciais.

Se não houver progressos, os custos vão aumentar, a escolha vai diminuir e a qualidade também vai dissipar-se, e isso não pode ser bom para ninguém”, afirmou.

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