www.jornaldenegocios.ptjng@negocios.pt (Jornal de Negócios) - 13 jan 19:33

Conquista e exercício do poder

Conquista e exercício do poder

Os contrastes e as polarizações das campanhas eleitorais tornam-se obstáculos para a mobilização de vontades e para a utilização dos recursos quando se passa da conquista para o exercício do poder.

A FRASE...

"Um discurso divisionista, de ódio e de incitamento de uns contra outros terá sempre resultados perigosos." 

Editorial, Expresso, 8 de Janeiro de 2021

A ANÁLISE...

Um regime democrático, a conquista do poder é uma questão eleitoral, que depende da capacidade para mobilizar os eleitores estabelecendo uma diferenciação significativa em relação aos concorrentes, mas que pode evoluir para uma questão de negociação quando não há maioria absoluta. É a capacidade para estabelecer o contraste com os opositores que funciona como factor de atracção dos eleitores e estrutura a base de apoio de cada partido. Quando a procura do contraste assume a forma da polarização, a escolha eleitoral passa a ser mais função da rejeição dos opositores do que da qualidade das propostas que se apresentam.

Não são os resultados das políticas que irão servir para esbater os contrastes e as polarizações. Sejam os resultados que se obtêm com a realização das propostas políticas positivos ou negativos, a afirmação dos contrastes sobrepõe-se ao exame crítico dos seus resultados. Quando se escolhe a reprodução do mesmo padrão de polarizações, pretende-se responder às descontinuidades e às crises com a continuidade da eterna repetição do mesmo. A polarização é sempre um dualismo, a imposição da divisão entre o amigo e o inimigo, que se pode revelar o factor decisivo quando a questão eleitoral tem de evoluir para a questão da negociação que permita configurar uma maioria absoluta.

O exercício do poder exige que se identifique o que é o campo de possibilidades e que se formulem programas de política que mobilizem recursos e vontades para que se atinjam os objectivos que sejam compatíveis com esse campo de possibilidades. E quando é preciso recorrer a uma coligação dentro de uma configuração polarizada, o exercício do poder nessas condições deixa de estar referenciado ao campo de possibilidades e passa a estar condicionado à negociação interna entre os partidos que formam essa plataforma maioritária: o exercício do poder passa a ser uma negociação dentro do poder e deixa de ser uma estratégia para explorar um campo de possibilidades.

Há modos de conquistar o poder que impedem o exercício do poder - mesmo que se queira usar os inimigos para proteger os amigos.

Artigo em conformidade com o antigo Acordo Ortográfico

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

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