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Crime hediondo

Crime hediondo

Absortos (a palavra talvez seja alienados) pelas notícias do dia (agora é mais do minuto...) que cada vez são mais a espuma da realidade, passamos, indiferentes, por coisas verdadeiramente importantes em que o que está em causa são os valores da democracia.

De facto, na semana passada a diretora do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), Cristina Gatões, numa entrevista à RTP, falou pela primeira vez sobre o assassinato, em março, de um cidadão ucraniano, Ihor Homenyuk, nas instalações dos serviços no aeroporto de Lisboa.

Afirmando que estamos perante uma "situação de tortura evidente" e que "a descrição que é feita nos relatórios policiais é medonha, hedionda, inqualificável"! De acordo com o despacho da acusação proferida pelo Ministério Público, Ihor foi algemado com as mãos atrás das costas e agredido por inspetores do SEF a soco, pontapé e pancadas com um bastão extensível em várias partes do corpo, designadamente na caixa torácica. E que, com Ihor já prostrado no chão, continuaram a desferir-lhe pontapés no tronco! Tendo, posteriormente, "informado" o magistrado do Ministério Público, que Ihor "foi acometido de doença súbita"!

Ao ler este relato não consigo deixar de recordar as descrições das torturas perpetradas pela PIDE, não apenas ao nível das agressões, mas, também, da tentativa de encobrimento dos assassinatos (a PIDE dizia que o preso se tinha "suicidado")!...

E isto é intolerável! Pelo que não entendo como, passados nove meses, e perante a passividade do país, os inspetores envolvidos nestas agressões estejam apenas em prisão domiciliária, e se mantenham em funções a diretora dos SEF e o ministro da Administração Interna - o que só normaliza a tortura por parte de forças policiais!

*Engenheiro

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