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Comércio sem Natal sofre mais do que a restauração

Comércio sem Natal sofre mais do que a restauração

Associação de Marcas de Retalho e Restauração (AMRR) revela quebras de 76% no primeiro fim de semana de restrições e antecipa cenário "pior neste fim de semana".

"É um desastre total", resume Miguel Pina Martins, sobre o cenário de quebras acumuladas nas cerca de 3500 lojas associadas da AMRR. "Estamos pior do que a restauração: eles perdem um mês, mas o comércio está a perder o mês que vale 40% do negócio do ano todo", explica o presidente da AMRR.

As medidas anunciadas este sábado por António Costa levam a AMRR a antever o pior. "No fim de semana passado tivemos quebras de 76%. Neste, foi ainda pior. Estamos a finalizar os números, mas foi muito pior", revela, mencionando valores que, face ao homólogo, podem chegar a 1000% de quebra.

"O Natal começava nestes fins de semana. Por comparação, vão ser sempre muito maus. E o pior é que não se pode dizer que as pessoas compensem, depois, comprando durante a semana. Não estão a comprar. As imagens que circulam dos centros comerciais cheios de gente é nos hipermercados, porque as lojas estão às moscas", lamenta Pina Martins, que acusa o Governo de "expropriar o direito de trabalhar".

Alguns comerciantes podem estar "só a aguentar mais este mês antes de decidirem fechar", uma vez que não há perspetivas de "a vacina travar a pandemia no curto prazo e que a economia recupere de imediato".

Enquanto não forem anunciadas outras medidas para o setor, a AMRR espera que "pelo menos os deputados votem favoravelmente as propostas que vão ser apresentadas ao Parlamento, no sentido de as lojas dos centros comerciais terem de pagar apenas as rendas variáveis com efeitos retroativos a março e também para que a regra continue a valer em 2021.

"É uma proposta de partilha de sacrifícios entre os lojistas e os donos dos centros comerciais que não tem impacto para os contribuintes. Podemos começar por aí e, depois, ver que outras medidas podem ser tomadas", remata Miguel Pina Martins.

A AMRR e a Associação Portuguesa de Centros Comerciais defendem interpretações opostas da lei que permite às lojas pagarem, como renda, apenas uma percentagem das vendas feitas desde março, quando foram obrigadas a encerrar, em vez da renda mínima garantida, que é um valor fixo negociado no início dos contratos.

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