expresso.ptexpresso.pt - 22 nov 12:37

A Bolsa perdeu a vida. O declínio do mercado de capitais

A Bolsa perdeu a vida. O declínio do mercado de capitais

Portugal terá de enfrentar os estilhaços da pandemia de covid-19 com dois dos mais relevantes pilares da economia de mercado praticamente paralisados. A Bolsa e a banca de investimento definharam nos últimos anos, e tornaram-se uma pálida sombra do que deve ser o mercado de capitais

A 26 de maio de 2010, os presidentes das empresas cotadas portuguesas acotovelam-se na varanda mais mediática do mundo, a da Bolsa de Nova Iorque. Portugal era o país convidado, e tinha direito a tocar o sino, arrancando o dia em Wall Street. A excitação era grande. Os peitos inchados de orgulho. Ser presidente de uma empresa cotada era pertencer à elite económica do país. Subitamente, naquele dia, a Portugal Telecom (PT) ficou sob ameaça de uma oferta pública de aquisição (OPA) da espanhola Telefónica, em busca do controlo da brasileira Vivo, cujo capital ambas partilhavam. A “declaração de guerra” espanhola chegou através de uma notícia do “Financial Times”: se a PT não queria vender a Vivo, então os espanhóis compravam a Portugal Telecom.

Os media estavam em peso nessa viagem, e esticaram os microfones. Zeinal Bava, então presidente da PT, pedia à porta da Bolsa nova-iorquina, a demissão do administrador da Telefónica que tinha tido tal ousadia, Santiago Valbuena. Ricardo Salgado, acenava com a golden share (ações com poder de veto) do Estado, para impedir o negócio. José Maria Ricciardi, então presidente do BESI, gritava a partir do chamado floor da New York Stock Exchange — um dos poucos onde ainda há corretores a dar ordens de viva voz —, que quem mandava na PT eram os portugueses e não os espanhóis, e avisava que não tencionavam sair do Brasil. “Os portugueses não são criados dos espanhóis”, bradava. Pouco tempo depois, a PT vendeu a Vivo à Telefónica, por €7,5 mil milhões, e entrou no capital da Oi — uma opção que se revelou desastrosa. Dez anos depois, tudo mudou. A família Espírito Santo perdeu o poder e Salgado aguarda julgamento. A PT, como multinacional portuguesa, desapareceu. E a Bolsa desfaleceu.

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