eco.sapo.pteco.sapo.pt - 22 nov 21:32

RSA aceita oferta conjunta Tryg-Intact. Será vendida por 8 mil milhões

RSA aceita oferta conjunta Tryg-Intact. Será vendida por 8 mil milhões

A seguradora cedeu à proposta que supõe prémio 50% acima do valor da empresa. Sendo adquirida, desintegra-se, repartida pela canadiana Intact Financial Corporation e a dinamarquesa Tryg.

As administrações (boards) da Regent Bidco Limited (Bidco), subsidiária integralmente detida pela canadiana Intact Financial Corporation, da dinamarquesa Tryg A/S e do RSA Insurance Group Plc (RSA) chegaram a acordo sobre os termos da oferta (recommended cash offer) através da qual as oferentes (Intact e Tryg) adquirem a totalidade do capital acionista da RSA, por um total de 7,2 mil milhões de libras esterlinas, sendo que a dinamarquesa desembolsa 4,2 mil milhões e a canadiana contribui com 3000 milhões.

O entendimento corresponde à aceitação da proposta referida em informação divulgada há pouco mais de uma semana pela RSA, conforme noticiou ECOseguros. O montante acordado (685 pence por cada ação) supõe um prémio de 51% sobre o valor de fecho bolsista do papel da RSA, a 4 de novembro, véspera da apresentação da proposta do consórcio Intact+Tryg, detalha comunicado da Tryg. Além do valor acordado para a transação, os acionistas da visada mantêm direito a aceder a dividendos (anunciados em meado de setembro para pagamento em dezembro), assegura a RSA em comunicado.

Em resultado da transação, acordada por um equivalente superior a 8 mil milhões de euros, a Intact adquire as operações da RSA no Canadá, no Reino Unido, Irlanda e a área internacional, enquanto a Tryg toma controlo dos negócios da companhia britânica na Suécia e na Noruega, ficando ainda com a metade das operações (da RSA) na Dinamarca, as quais serão geridas pela Intact, que passa a ser proprietária da outra metade.

Com esta aquisição, a Tryg assume carteira volumosa de negócio não Vida de “elevada qualidade” e a passa a liderar o setor seguros P&C no mercado escandinavo.

Citado num artigo do jornal Financial Times (FT) Stephen Hester, CEO da RSA, afirmou que o grupo não andou a pedir propostas: “quando os oferentes fizeram a primeira abordagem em meados de agosto (…), sentimo-nos em posição suficientemente segura para lhes dizer que não abdicávamos da nossa independência a qualquer preço.”

A proposta satisfez a administração do grupo visado e o negócio é anunciado num momento em que os advogados da companhia britânica dirimem argumentos no Tribunal Supremo do Reino Unido, em defesa dos interesses da RSA no âmbito do processo piloto (test case) que deverá esclarecer a responsabilidade efetiva de diversas seguradoras no caso das designadas apólices BI (Business Interruption), pelas quais titulares de seguros reclamam indemnizações por interrupção de atividade e perdas de exploração causadas pela pandemia da Covid-19. Nos últimos dias de outubro, a imprensa noticiou que, para algumas apólices, a seguradora desistiu de litigar.

A RSA emprega mais de 13 mil pessoas, sendo uma instituição com 300 anos de história na indústria seguradora. Afirmando-se como uma das mais resistentes da indústria em termos de longevidade e independência, a companhia opera nove milhões de clientes em uma centena de países distribuídos pela América do Norte, Europa e Médio-Oriente. Em 2019, a RSA registou cerca de 6,4 mil milhões de libras em volume de prémios.

Em resultado da venda, que os acionistas tenderão a aceitar (por recomendação da administração), o grupo será desmantelado.

De acordo com informação da Intact, a transação estará concluída na primeira metade de 2021, contando que obtenha a aceitação dos principais acionistas da RSA e aprovação das autoridades reguladoras competentes.

A venda da RSA (sigla que passou a identificar o grupo após fusão operada em 1996 entre a antiga Royal Insurance e a Sun Alliance) encurta ainda mais a lista de companhias britânicas de seguros gerais no Reino Unido. O FT recorda os casos de várias seguradoras do Lloyd’s of London (Catlin, Amlin e a Hardy) que, ao longo do tempo, foram sendo alvo de takeovers. Os casos mais recentes envolveram a Esure (em 2018) e a Hastings, já em 2020.

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