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Rastreio em Wuhan revela que assintomáticos podem não transmitir o vírus SARS-CoV-2

Rastreio em Wuhan revela que assintomáticos podem não transmitir o vírus SARS-CoV-2

Um rastreio de grandes dimensões na cidade chinesa de Wuhan, onde surgiram os primeiros casos de covid-19, permitiu concluir que os doentes assintomáticos têm uma baixa carga viral e, por isso, dificilmente vão infetar outras pessoas.

Há vários medos associados à covid-19, um deles é a possibilidade de pessoas infetadas e sem sintomas conseguirem transmitir o vírus aos outros. Algumas sem o saberem, uma vez que não sentem as mazelas da doença. Um novo estudo da revista científica "Nature", publicado na passada sexta-feira, vem demonstrar que os assintomáticos não terão afinal a capacidade de transmitir o vírus SARS-CoV-2. A conclusão vem de um rastreio feito entre 14 de maio e 1 de junho em Wuhan, na China, no qual participaram 9 899 828 pessoas, ou seja, todos os residentes com mais de seis anos foram elegíveis.

A testagem de 92,9% da população residente na cidade chinesa, onde foram registados os primeiros casos do novo coronavírus, permitiu descobrir 300 casos de covid-19 assintomáticos. Por outro lado, não é conhecido nenhum caso positivo com sintomas. Os 1174 contactos próximos dos assintomáticos cumpriram o isolamento durante duas semanas, mas nenhum teve sintomas ou testou positivo à covid-19. "A prevalência da infeção do SARS-CoV-2 em Wuhan foi muito baixa cinco a oito semanas após o confinamento", lê-se no estudo da "Nature".

Os 300 assintomáticos tinham entre 10 e os 89 anos: 132 eram homens e 168 eram mulheres. A taxa de infeção foi mais elevada em pessoas com mais de 60 anos e, consequentemente, foi mais reduzida em crianças e adolescentes (abaixo dos 17 anos). Apesar de a própria revista "Nature" admitir que "estudos anteriores mostram que pessoas assintomáticas eram infecciosas e podiam tornar-se sintomáticas", o mesmo não se verificou em Wuhan. "As pessoas infetadas assintomáticas têm geralmente uma baixa carga viral (...) o que reduz a transmissão da SARS-CoV-2".

Outra das conclusões, aplicável pelo menos a Wuhan, é a de que o vírus está a perder a força. "As novas pessoas infetadas vão provavelmente ser assintomáticas e com uma carga viral mais baixa, em comparação com os primeiros casos" de covid-19, explica a investigação da "Nature". Apesar do novo coronavírus se ter tornado tão diminuto em Wuhan, tal não significa que a população seja "complacente". Os investigadores recomendam as medidas de saúde pública, como o distanciamento social e o uso de máscara, continuem em prática e se tornem "escudos" para os mais vulneráveis à doença.

Conscientes da diversidade de informação em vários estudos, os responsáveis da revista científica clarificam que a descoberta tem limitações. Não foi possível avaliar as mudanças ao longo do tempo nos casos positivos e podem ter existido alguns falsos negativos (pela falta de fiabilidade dos testes e por a carga viral ser baixa). A "Nature" diz ainda que os "testes publicamente comprados pelo governo" seguiram as diretrizes oficiais de coleta, mas como em qualquer rastreio de grande escala, os "resultados falsos negativos são possíveis".

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