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#mãos

#mãos

Viajar no metro e teimar em tomar café nas lojas dos postos de abastecimento são coisas especiais. Sempre gostei de sentir as pessoas e, nestes sítios, sou seduzido pela variedade.

Homens, mulheres, novos, velhos, operários, doutores, ratos, insetos e momentos incertos. É todo um desfilar de aparências e sensações, diálogos raros ou só de palavra e meia, naquele corre-corre que ainda nos deixa tempo para observar. Nunca conheci ninguém no metro ou numa loja de conveniência e isso justifica bem não me sair da cabe��a o facto de uma vez ter identificado uma senhora pelas mãos. Quando se encostou, a uns bons metros de mim, junto à porta da composição, logo procurei pelo filho daquela tatuagem simples. Lá estava o miúdo. Desta vez com os dedos entrelaçados naquela mão que, afinal, nunca me tinha saído da cabeça. Vendo bem as coisas, não é assim tão surpreendente. Eram mãos de mãe. As primeiras que tivemos e as que queremos sempre ter. Quando reparamos que já não as temos à mão, é um susto. É como se andássemos fora de mão. Podemos habituar-nos, encontrar o caminho e percorrer a linha da vida feliz que a quiromancia imaginou, mas nunca nos livraremos do amargo de viver sem elas.

*Jornalista

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