www.publico.ptpublico.pt - 21 nov 05:00

Cartas ao director

Cartas ao director

Francisco Sá Carneiro

Faz no próximo dia 4 de Dezembro, 40 anos que um avião Cessna se despenhou em Camarate, no qual seguiam Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa. O 25 de Abril tinha rompido meia dúzia de anos antes e a nossa democracia ainda tinha pouco tempo. O homem que havia fundado o PPD, hoje se fosse vivo não acreditaria no que se está a passar, ali na “Buenos Aires” - o actual líder do PPD-PSD, Rui Rio, em negociações com o sr. André Ventura, líder de um partido que se intitula Chega. O que diria? Sá Carneiro foi um arauto da social-democracia, título que roubou a Mário Soares na luta pelo centro político. Passados 40 anos da sua morte, um partido chamado Chega está sorrateiramente a querer que Portugal volte ao fascismo! Sá Carneiro, se fosse vivo, “demitia” de imediato Rui Rio...

Tomaz Albuquerque, Lisboa

Já não há pachorra para politiquices

Já não há pachorra para politiquices, sejam de que origem forem. Estamos a atravessar um período tenebroso, onde morrem diariamente seres humanos, independentemente das suas ideias politicas, religiosas ou clubistas. O Governo eleito democraticamente tem-se esforçado para tentar minimizar os terríveis efeitos que a pandemia provoca. Até agora, em nenhuma parte do mundo e estamos a caminho de um ano, se conseguiu debelar este terrível mal. Por cá, invocando os Direitos, Liberdades e Garantias mas ignorando os Deveres, há quem entenda fazer o que quer, esquecendo os constantes apelos, conselhos e avisos das competentes entidades oficiais. Dada a tragédia que nos atingiu, todos os cuidados são poucos e necessários. Certamente que o adiamento, não anulação, do congresso de um partido político não irá ter qualquer efeito nefasto na sua acção. Tenham juízo e não brinquem com coisas sérias que envolvem a vida de todos nós.

Carlos Leal, Lisboa

História Contemporânea Portuguesa e luta de classes

Por muito que o capitalismo português e seus defensores actuais PS/PSD/CDS e anexos, queiram, não é possível travar as lutas da classe trabalhadora. Assim foi desde o início do século XX até hoje. Logo após a instauração da República, em 1910, com democracia burguesa, ficou claro para o povo que o poder que tinham ajudado a implantar não estava ao seu serviço ao proibir as greves, ao impedir o voto de todos os cidadãos maiores, homens ou mulheres, operários ou pequenos agricultores. Esta contradição levou a renhidas lutas da classe operária não respeitando a lei que lhes coarctava esse direito. As sucessivas lutas da classe trabalhadora levou a burguesia a optar pelo golpe de 1926 e à implantação da ditadura fascista. A ditadura da burguesia que conseguiu a aderência da sua classe ao partido único a União Nacional, instalou-se e acomodou-se ao sistema até quase ao 25 de Abril.

No 25 de Abril amplos sectores da pequena burguesia já tinham desertado do partido único e deambulavam pelos grupos que Marcelo Caetano tentou cooptar para a Assembleia Nacional e Câmara Corporativa. O 25 de Abril acabou por dar resposta aos anseios da classe trabalhadora que conseguiu a introdução do salário mínimo nacional, o direito à greve, o direito sem restrições ao voto e amplas liberdades democráticas e a nacionalização dos pilares suporte da burguesia portuguesa: as empresas monopolistas e a banca. Hoje, a direita quer retomar o percurso do 24 de Abril, ou seja, a redução da democracia com o corte de direitos laborais, já começado com o governo de Passos Coelho; a redução do número de freguesias, a redução do número de deputados, o corte nos serviços públicos e uma agenda antidemocrática e conservadora que quer regredir centenas de anos. Os partidos que mostram essa agenda são o Chega e a Iniciativa Liberal, que não são mais que a serpente fascista nascida do interior do PSD/CDS, ou não será?

Mário Pires Miguel, Reboleira

Rabo de Peixe

Diminuir o número de beneficiários do RSI não é tarefa fácil na vila de Rabo de Peixe, Açores. Os açorianos precisam e merecem esse apoio do Estado. A manutenção do RSI é uma necessidade numa sociedade cada vez mais desigual, que a situação pandémica acentuou. As ofertas de emprego indiferenciado não abundam nos Açores, especialmente em Rabo de Peixe. Não é fácil a inserção social dos beneficiários do RSI numa zona com pouca oferta de empregabilidade. O PSD foi infeliz nesta abordagem, tendo em conta que é nos Açores que o RSI é mais baixo. Cortar as mordomias atribuídas aos ex-presidentes da República e suspender as subvenções vitalícias aos ex-deputados seria mais sensato. 

Ademar Costa, Póvoa de Varzim

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