expresso.ptCatarina Nunes - 21 nov 23:43

Saiba como os relógios mais baratos da Rolex estão a ser os mais inacessíveis

Saiba como os relógios mais baratos da Rolex estão a ser os mais inacessíveis

Há relógios de luxo acabados de lançar, esgotados nas lojas e à venda (inflacionados) no mercado paralelo, escreve a jornalista Catarina Nunes na crónica ‘Sem Preço’ desta semana

Há muito que algumas marcas de relógios de luxo sofrem com as suas próprias virtudes. A produção manual (e, por isto, limitada em quantidades) e o aumento da procura em localizações que nos últimos anos se tornam os grandes consumidores de luxo (como a China) são alguns dos aspetos que estão a fazer disparar os preços dos relógios. Não de todas as marcas e modelos - mas das mais aspiracionais (como a Rolex) e dos modelos que (por razões emocionais ou racionais) se tornam objeto de desejo de consumo imediato.

Isto, à partida, até seria interessante para as marcas em causa. Só que não. É que os relógios mais ambicionados têm listas de espera que podem ser de anos nos retalhistas autorizados, o que empurra para o mercado paralelo os consumidores mais ansiosos e aos quais a covid-19 não lhes trouxe quebras no dinheiro disponível para gastos mais extravagantes. O mecanismo é simples: quando as novas coleções são apresentadas, alguns negociantes entendidos no mercado relojoeiro têm experiência e ‘faro’ para bons investimentos que lhes permite antever quais são os modelos com potencial para se tornarem as ‘estrelas’ da temporada.

O Sky-Dweller Everose (€40.000), feito com uma mistura de ouro amarelo de 18 quilates com cobre e platina criando um ouro rosa, tem como novidade a bracelete de borracha

O Sky-Dweller Everose (€40.000), feito com uma mistura de ouro amarelo de 18 quilates com cobre e platina criando um ouro rosa, tem como novidade a bracelete de borracha

Claude Bossel

Com conhecimento profundo dos meandros dos canais de distribuição dos relógios de luxo, estes ‘caçadores de oportunidades’ chegam às primeiras posições das listas de espera, provavelmente de forma mais fácil, até porque os exemplares à venda fora dos canais autorizados não são falsificações. Sendo dos primeiros na posse dos relógios, ficam à espera que a oferta nos distribuidores autorizados esgote para entrarem em cena. O passo seguinte é pô-los à venda nos chamados mercados secundários, como sites e fóruns online frequentados por colecionadores ou em outras plataformas digitais, como o eBay ou até mesmo grupos de Whatsapp, por exemplo. O preço a que estão disponíveis, esse, é especulado em função da procura.

O esquema, apesar de não ser propriamente recente, ganha tração com a atual pandemia e a consequente paragem de produção durante a quarentena. A corrida à compra no mercado paralelo, que no passado podia demorar mais tempo a acontecer, agora está a dar-se de forma mais instantânea e a levar os preços para a estratosfera. Assim que a nova coleção da Rolex é apresentada em setembro já se antevê que haverá menos modelos disponíveis, com a expectável diminuição da produção devido ao período em confinamento. Agora, dois meses depois, a expectativa é real e multiplicam-se os canais de venda não autorizados a revender relógios novos em segunda mão (e intactos) e com o custo inflacionado.

Sem surpresas, os novos modelos Oyster Perpetual 36 com mostradores coloridos são uns dos mais procurados por aqueles que têm dinheiro mais do suficiente para não se importarem de pagar o que for preciso para terem preciosidades difíceis de obter. O mais curioso é que esta é a gama de entrada da Rolex (com preços mais acessíveis), que agora, afinal, se está a revelar uma das mais inacessíveis. A principal característica que torna os novos Oyster Perpetual atrativos é estética: as cinco cores diferentes (rosa candy, azul-turquesa, amarelo, vermelho-coral e verde).

O Submariner Date em ouro branco (€38.400) apresenta-se com uma caixa ligeiramente ampliada para 41 milímetros, face aos 40 milímetros anteriores

O Submariner Date em ouro branco (€38.400) apresenta-se com uma caixa ligeiramente ampliada para 41 milímetros, face aos 40 milímetros anteriores

Rolex

As cores, ainda por cima, não são escolhidas ao acaso. São repescadas (com alguns ajustes de tonalidades) dos modelos Rolex Stella Dial lançados nos anos 1970, clássicos que por serem raros são altamente disputados por colecionadores. O WatchPro, um dos fóruns online de referência para colecionadores e profissionais, aponta o novo Oyster Perpetual 36 em azul-turquesa (muito próximo do azul da joalharia Tiffany&Co) como um dos que estão mais inflacionados (61% acima do preço oficial), isto em novembro. As restantes cores, porém, também estão oficialmente esgotadas mas disponíveis e em escalada de preço no mercado negro, com colecionadores em fúria a multiplicarem-se nos fóruns de discussão online por causa da situação.

Não sei se serve de consolo mas nem a Rolex segue uma estratégia de escassez para inflacionar os preços, nem a atual capacidade de produção permite responder à procura sem pôr em causa a qualidade dos relógios. Todos são desenvolvidos, produzidos e montados à mão apenas nas quatro unidades de produção da Rolex, na Suíça, para corresponderem aos exigentes critérios de qualidade. Certo é que a mais aspiracional marca relojoeira pretende continuar a levar o tempo necessário para garantir que os relógios cumprem os padrões de excelência e as expectativas dos clientes em termos de qualidade, fiabilidade e robustez. Pelo menos estas são as garantias dadas pela agência de comunicação da Rolex Portugal.

O Datejust 31 (€12.450) tem 46 diamantes com lapidação brilhante na luneta e mais 11 diamantes incrustados no número VI

O Datejust 31 (€12.450) tem 46 diamantes com lapidação brilhante na luneta e mais 11 diamantes incrustados no número VI

Alain Costa

Apesar de os preços sobreaquecidos estarem a dar notoriedade à nova coleção da gama mais barata da Rolex, há outras novidades nas restantes linhas apresentadas em setembro. Em cada um delas, neste caso, os relógios topo de gama são o critério de escolha dos modelos a salientar nesta coluna. O mais caro (e complexo) é o Sky-Dweller na versão everose, que é o resultado da mistura de ouro amarelo de 18 quilates com cobre e platina, criando em ouro-rosa patenteado pela Rolex em 2005. O calibre 9001 que equipa este modelo é um dos mais complexos movimentos concebidos e produzidos pela Rolex. Para os menos técnicos e mais estetas (e descontraídos), o novo Sky-Dweller é o primeiro relógio da categoria clássica da Rolex com bracelete de borracha Oysterflex, habitualmente usada apenas nos modelos desportivos.

O Submariner Date em ouro branco de 18 quilates também quebra com o passado e apresenta-se com um design renovado. O modelo lançado inicialmente em 1969 tem agora uma caixa ligeiramente ampliada para 41 milímetros (face aos 40 milímetros anteriores), acompanhando a tendência de preferência por relógios maiores. O mostrador preto com um disco de luneta azul e a bracelete com três fileiras de elos (com inserções em cerâmica entre eles para aumentar a flexibilidade e longevidade) são outros dos aspetos. Na linha Datejust 31, a versão aubergine (fundo cor de beringela) ostenta 46 diamantes com lapidação brilhante cravejados na luneta, numeração romana em ouro branco de 18 quilates (o número VI tem 11 diamantes incrustados) e bracelete com fecho desdobrável.

O Oyster Perpetual 41 (€5.350) tem a luneta abaulada, elementos acetinados na parte superior, cantos polidos e ponteiros revestidos por um material que emite uma luz ténue no escuro

O Oyster Perpetual 41 (€5.350) tem a luneta abaulada, elementos acetinados na parte superior, cantos polidos e ponteiros revestidos por um material que emite uma luz ténue no escuro

Alain Costa

Com o último relógio mais caro das gamas apresentadas regressamos ao início desta crónica - a versão de 41 milímetros do ‘económico’ Oyster Perpetual (‘irmão maior’ do Oyster Perpetual 36 de cores fortes e preços inflacionados no mercado paralelo). Ambas as versões partilham o calibre 3230, movimento mecânico de corda automática, desenvolvido e fabricado pela Rolex, que é lançado agora com melhorias a nível da precisão e da resistência a choques e a campos magnéticos. A icónica bracelete Oyster (criada em 1930) com elementos acetinados na parte superior e cantos polidos é outro dos detalhes, enquanto a extensão rápida do fecho desdobrável Oysterclasp (que ajusta o comprimento em 5 milímetros) é introduzida agora pela primeira vez na linha Oyster Perpetual. Quais destes serão os próximos com o preço a ‘aquecer’ no mercado negro?

Rolex
Avenida da Liberdade 159, Lisboa
Distribuidores oficiais
www.rolex.com

NewsItem [
pubDate=2020-11-21 23:43:49.0
, url=https://expresso.pt/cronica/2020-11-21-Saiba-como-os-relogios-mais-baratos-da-Rolex-estao-a-ser-os-mais-inacessiveis
, host=expresso.pt
, wordCount=1213
, contentCount=1
, socialActionCount=0
, slug=2020_11_21_1200552344_saiba-como-os-relogios-mais-baratos-da-rolex-estao-a-ser-os-mais-inacessiveis
, topics=[crónica]
, sections=[opiniao]
, score=0.000000]