www.publico.ptPedro Henriques - 18 out 15:56

Sporting-FC Porto: Não houve penálti e o VAR não devia ter interferido

Sporting-FC Porto: Não houve penálti e o VAR não devia ter interferido

Na Liga inglesa, na jornada deste fim-de-semana, foi anulado um golo ao Liverpool frente ao Everton por um pretenso fora de jogo. Esta decisão que se revelou errada, pois a linha que foi traçada para análise do off-side foi inco

rrectamente traçada, acabou por ter influência no resultado final do jogo, transformando uma possível vitoria dos “reds” num empate.

No pós-jogo, apenas e de forma normal foi discutida a decisão e a competência das pessoas que a tomaram, sem nunca beliscar a honorabilidade e honestidade, quer da equipa de arbitragem, quer dos árbitros que estavam no VAR. Também não houve nenhuma conferência de imprensa por parte do presidente do Liverpool, porque lá, os presidentes têm outras funções mais importantes no que diz respeito à liderança e gestão de um clube, porque lá os dirigentes evoluíram e têm uma postura e comportamento diferentes e, sobretudo, defendem como ninguém o produto futebol. Porque lá quem não tiver essa postura é multado com penalizações financeiras significativas.

Percebendo isto e, sobretudo, esta forma diferente de ser e estar, percebemos claramente aquilo que no nosso futebol, por muitos anos que passem, continua sempre na mesma e não sofre evolução.

Do jogo Sporting-FC Porto, o destaque maior vai para o lance ocorrido ao minuto 45’+1’. Inicialmente Luís Godinho assinalou penálti de Zaidou sobre Pedro Gonçalves, expulsando por acumulação de cartões amarelos o jogador portista. Depois, e após intervenção do VAR e com a ida ao monitor para rever o lance, Luís Godinho acabou por reverter ambas as decisões, anulando o penálti e retirando a sanção disciplinar, recomeçando o jogo com bola ao solo.

Na minha opinião a decisão final de reverter o lance foi correcta. Não há motivo para pontapé de penálti. O jogador portista, por um momento, tem a mão nas costas do jogador “leonino”, mas não o agarra ou empurra. Ou seja, esse ligeiro contacto não tem qualquer consequência, não impede em nada que Pedro Gonçalves possa chegar à bola e que a pudesse dominar, controlar, tocar ou rematar, nem foi esse contacto que levou à sua queda.

Porque o importante é a decisão final e a verdade desportiva, eu afirmo que não ter sido penálti e não ter havido a expulsão do jogador “azul e branco”, fez justiça ao que realmente aconteceu. Agora, o outro lado da questão, que é se a intervenção do VAR nesta circunstância obedeceu ao que normalmente é preconizado no protocolo. E é aqui que percebemos que não foi condizente com o que normalmente nestas situações se faz, ou seja, houve efectivamente um braço em contacto nas costas, dentro da área, logo trata-se de um lance de interpretação da intensidade, não de um erro grosseiro. “… Se a verificação não indicar um claro e óbvio erro, normalmente não haverá necessidade de o VAR comunicar com o árbitro …” (página 145, parágrafo 5,  das leis de jogo), ou seja, o protocolo não proíbe mas dá uma indicação de não interferência nestes casos, deixando a decisão inicial do árbitro como válida. E, em Portugal, temos assistimos a inúmeros casos em que lances de interpretação, chamada zona cinzenta, o VAR não intervém, escudando-se na questão de que tudo o que não é claro e óbvio limita a sua intervenção e, neste capítulo, tudo o que seja subjectivo e de interpretação fica ao critério do árbitro e na decisão que ele toma inicialmente em campo.

Resumindo e concluindo: Zaidu não fez penálti, mas o VAR normalmente não intervém neste tipo de lances.

No jogo Rio Ave-Benfica destaque para os off-side e a tecnologia da linha de fora de jogo que acabou por ser protagonista em três momentos. Minuto 19 golo anulado ao Benfica pois no momento do passe de Walschimit Darwin está adiantado 46 cm. Minuto 29 mais um golo anulado ao Benfica agora foi Darwin que assistiu Waldschmidt que estava fora de jogo por 10cm. Minuto 68, o árbitro assinala penálti a favor do Benfica, mas o lance é anulado porque antes da infracção, Darwin está adiantado (fora de jogo ) por 42cm, o que retirou da discussão e da análise do VAR se tinha ou não havido penálti. Na minha opinião não houve. Aderlan toca na bola e é Darwin que o pontapeia no pé. Última nota de rodapé, com esta tecnologia esvaziam-se as discussões e polémicas, acreditamos nela e reduzimos assim o erro humano. 

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