expresso.ptexpresso.pt - 18 out 17:54

67 anos depois, uma mulher vai voltar a ser executada nos Estados Unidos

67 anos depois, uma mulher vai voltar a ser executada nos Estados Unidos

Apesar de a defesa alegar que a autora do crime tem danos cerebrais irreversíveis causados pela violência que sofreu na infância, o procurador-geral considerou o crime “especialmente hediondo” e decidiu a data da execução

Os Estados Unidos da América vão voltar a executar uma mulher, quase 70 anos depois de o terem feito pela última vez. Trata-se de Lisa Montgomery, oriunda do estado do Kansas e a única mulher entre os 55 detidos em prisões federais que estão no chamado “corredor da morte”, isto é, à espera da execução. Condenada em 2008, a data para essa execução foi definida esta sexta-feira pelo departamento de justiça do governo norte-americano: 8 de dezembro.

Montgomery foi condenada pela morte por estrangulamento de uma mulher grávida, em 2004. Como conta o comunicado emitido na sexta-feira, a mulher tinha conhecido Bobbie Jo Stineett numa conversa online e acordou com esta comprar-lhe um cão bebé.

Dirigiu-se do Kansas a Missouri, onde vivia Stineett, e cumpriu “um esquema premeditado de assassinato e sequestro”, que passou por estrangular a mulher e retirar-lhe o bebé, na altura com oito meses de gestação. Levou a criança para casa e fê-la passar por sua filha, até o crime ter sido desvendado e a própria Montgomery o ter admitido. Bobbie Stineett não resistiu aos ferimentos, ao contrário da filha, Victoria Jo, hoje com 16 anos, que foi criada pelo pai.

A defesa de Montgomery alega há muito que a mulher foi também vítima durante a infância de sucessivos espancamentos que lhe deixaram danos cerebrais irreversíveis, além de outros problemas do foro mental. O procurador-geral, William Barr, porém, considerou esgotados todos os recursos da defesa e colocou o crime de Montgomery no grupo dos “especialmente hediondos”.

Em julho, o grupo Death Penalty Action, que luta pelo fim da pena de morte nos Estados Unidos, fez uma manifestação à porta do complexo de Terre Haute

Em julho, o grupo Death Penalty Action, que luta pelo fim da pena de morte nos Estados Unidos, fez uma manifestação à porta do complexo de Terre Haute

SOPA Images

O comunicado dá ainda conta de outra execução, marcada para dois dias depois, 10 de dezembro. Trata-se de Brandon Bernard, um homem de 40 anos acusado do assassinato de dois pastores da igreja no Texas, em 1999, a quem será também administrada a injeção letal no mesmo complexo prisional de Terre Haute, estado do Indiana, onde um grupo se manifestou recentemente contra a pena de morte nos Estados Unidos.

A última vez que uma mulher foi executada no país aconteceu em dezembro de 1953, exatos 67 anos antes de voltar a acontecer. Foi Bonnie Brown Heady, condenada por sequestro e assassinato de uma criança de seis anos, herdeira da fortuna do pai, Robert Cosgrove Greenlease, um multimilionário do sector automóvel. Com o namorado, envolvido no crime, Heady foi executada numa câmara de gás.

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