www.publico.ptpublico.pt - 18 out 07:53

Sem concertos para fotografar, Diogo voltou-se para os pássaros — e “é quase a mesma coisa”

Sem concertos para fotografar, Diogo voltou-se para os pássaros — e “é quase a mesma coisa”

Com os concertos parados e confinado ao teletrabalho, Diogo teve de pensar em novas coisas para fotografar. Bastou olhar pela janela para ter ideias. Construiu um abrigo de observação de aves no terreno dos avós e já fotografou 39 espécies.

"Fotografar concertos e fotografar aves é quase a mesma coisa: existe um sentimento de liberdade, a liberdade de quem é fotografado." Do alto do seu observatório, construído no espaço de uma barraca para ferramentas no terreno agrícola dos avós, Diogo Meira já fotografou dezenas e dezenas de aves. Ao todo, vai em 39 espécies. É a alternativa de quem passou meses sem escutar música ao vivo, encontrada a olhar pela janela do quarto.

Diogo fotografava concertos regularmente, nos tempos livres do seu trabalho como engenheiro mecânico. Em Março, a pandemia obrigou-o a fechar-se em Antas, freguesia de Esposende, e virou-se para os pássaros que sobrevoavam o campo.

"Aves é o que mais há. Uma vez ou outra fotografo mamíferos, como raposas. Quando estou no mato a fotografar, estou à procura de vida selvagem, pode aparecer um insecto ou um anfíbio, mas aves é o que há mais e foi nisso que me foquei", conta Diogo, de 26 anos, ao P3.

Em Janeiro, comprou uma nova objectiva e o abrigo que construiu fez recentemente seis meses. Antes, nunca tinha estudado nada sobre aves, mas a observação permitiu-lhe aprender mais sobre cada espécie que ia aparecendo.

"Fui estudando o comportamento das aves, o que é que me traria mais aves ou não, a mudança da frequência de certas aves por causa da migração (está a começar a baixar)", conta Diogo. "Observá-las é fantástico", confessa o jovem, que até acompanhou os "progenitores a ensinar as crias a alimentarem-se sozinhas". 

Estudar e fotografar aves também teve resultados positivos entre os seus amigos e conhecidos, "uma série de pequenas conquistas" que fazem o seu trabalho compensar. "Há malta no meu círculo próximo e da aldeia que já me manda mensagens a dizer que encontrou um determinado animal ferido e a perguntar o que deve fazer; e há malta que tinha animais em gaiolas e já começa a pensar que não é a melhor forma de os admirar", afirma o fotógrafo.

A sustentabilidade e o ambiente são novos motivos que dão uso aos conhecimentos adquiridos sobre os animais que fotografa: apesar de nada estar no papel, Diogo Meira confessa que já existem em cima da mesa propostas de colaboração com algumas organizações, nomeadamente com a Associação Rio Neiva (ADA), que trabalha para preservar e defender a biodiversidade no vale do rio Neiva, no Alto Minho.

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