expresso.ptexpresso.pt - 18 out 23:20

Marques Mendes: “Orçamento não tem política económica. É o grande buraco e a grande deceção”

Marques Mendes: “Orçamento não tem política económica. É o grande buraco e a grande deceção”

O comentador político considera que este é um Orçamento de Estado “de incerteza”, mas pelo menos não é “à Sócrates”, desenhado para “gastar à grande à francesa”. Marques Mendes destaca como positiva a “carga social muito forte” e considera que foi “feito para ser viabilizado à esquerda” e “ajudar o PS nas eleições autárquicas”

No habitual espaço de comentário na SIC, Luís Marques Mendes avaliou o Orçamento do Estado para 2021 como um “orçamento de incerteza e muito arriscado”. E de incerteza porquê? Desde logo, por causa da pandemia. “Basta que se agrave e que haja novas restrições que durem algum tempo para que, evidentemente, o PIB não cresça tanto quanto o Governo prevê e portanto pode ter consequências em tudo o resto", nomeadamente nas receitas e nas despesas do Estado, frisou o comentador no “Jornal da Noite” deste domingo.

Seguindo o raciocínio, para Marques Mendes a segunda incógnita “decorre do que acontecer lá fora, na Europa e no mundo, porque não somos uma ilha”. O analista político aponta para o país vizinho como principal foco de preocupação, “porque a nossa economia está ligadíssima a Espanha, que, “além de uma grande crise sanitária e económica, está a caminho de poder ter uma séria crise política”, razão pela qual o comentador recomenda “muita atenção”.

Na ordem de interrogações deste Orçamento de Estado, na opinião de Marques Mendes “a terceira grande incerteza são os dinheiros de Bruxelas”, que “em princípio vêm, mas ninguém sabe quando, porque há riscos no horizonte”.

O principal defeito, aponta, é que “não tem política económica”: “é o grande buraco e a grande deceção”.

Pela positiva, o comentador realça que este “não é um orçamento à Sócrates”. E explica: “José Sócrates, quando foi primeiro-ministro, durante a crise de 2009, fez um orçamento de gastar à grande e à francesa, muito expansionista, muito leviano e irresponsável. Não foi prudente. Conclus��o: gastou o que tinha e o que não tinha. Passado um ano estávamos perto da bancarrota”.

Algo que agora, salienta, não acontece. “Este orçamento é equilibrado. Tem um expansionismo prudente, é muito contido e cuidadoso em matéria de défice, em matéria de dívida, em matéria de despesas totais, até o saldo estrutural tem um pequenina diminuição. Portanto, Costa é diferente de Sócrates e ainda bem para o país”, afirma Marques Mendes.

O antigo presidente do PSD destaca igualmente a “carga social muito forte”, que vê como “muito positiva”, até porque considera que este é um Orçamento de Estado feito para ser viabilizado à esquerda” e que “ajuda o PS nas eleições autárquicas”.

Marques Mendes acredita que “o PCP e o PAN viabilizem pela abstenção”, já o BE é mais imprevisível. “O Bloco de Esquerda é a maior incógnita, porque a relação política e até pessoal entre o Governo e o BE está muito degradada”, concluiu.

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