expresso.ptLuís Pedro Nunes - 17 out 10:17

Ceausescu vive

Ceausescu vive

Li finalmente a história de uma das crianças romenas levada para os EUA. O amor não salva tudo e todos, imagine-se

Estive três meses a adiar ler o artigo tão recomendado. “Tens mesmo de ler.” O texto, de junho, publicado na “The Atlantic”, titulava: “Há 30 anos, a Roménia privou milhares de crianças de contacto humano — eis o que foi feito delas”. E a foto era de um adulto vestido de negro a olhar o infinito, braços cruzados, mas olhar triste, com uma espécie de chapéu hussardo. Gosto muito da revista “The Atlantic”, a autora do texto era, googlei, uma escritora premiada. Mas eu estava acobardado.

O artigo descreve os “gulags de crianças” que o Estado romeno criou, sob ordens de Ceausescu, para empilhar crianças “irrecuperáveis”: deformadas, deficientes, com sida, hepatite, autismos, mas também com pequenas mazelas que até podiam ser corrigidas. Os casais romenos eram instigados a ter dez filhos. Os que não fossem “perfeitos” eram enviados para os Camin Spital. Centenas de milhares tiveram esse destino. Muitos milhares foram morrendo como era suposto: da doença, de malnutrição, de frio.

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