expresso.ptPedro Mexia - 17 out 10:11

Questões de viagem

Questões de viagem

Da orfandade ao mal-estar, do alcoolismo à doença mental, elizabeth bishop sofria para dentro, evitando o confessionalismo extremado

gora que a Academia Nobel decidiu — óptima notícia — distinguir Louise Glück, lembremos Elizabeth Bishop (1911-1979), primeiríssima entre as poetisas americanas do último século (e que poetisas: H. D., Moore, Plath, Sexton, Rich, Levertov, Graham). Até porque em breve começa a edição deste ano da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), que tinha anunciado Bishop como homenageada e deixou cair essa escolha pelos motivos extraliterários do costume.

Bishop teria ficado incomodada com a polémica, porque ficava incomodada com quase tudo o que se dizia acerca dela. Nascida no Massachusetts, numa família abastada, nem por isso viveu uma infância paradisíaca. O pai morreu quando ela tinha oito meses, e a mãe enlouqueceu uns anos depois, de modo que a criança foi educada em casa de tios e avós, com crises asmáticas e a incomodidade com o mundo que nunca deixaria de sentir. Frequentou Vassar, colégio de meninas ricas, onde fundou uma revista literária, e depois andou pelo mundo, ganhou casas, perdeu casas, escreveu elogios e elegias de casas, quer dizer, das coisas amadas, das pessoas amadas.

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