ionline.sapo.ptionline.sapo.pt - 17 set 10:48

Estados Unidos sentem as alterações climáticas na pele

Estados Unidos sentem as alterações climáticas na pele

Com milhões de hectares ardidos na costa oeste dos EUA, teme-se o efeito na saúde do fumo que se espalhou por todo o país. Entretanto, o Presidente Donald Trump continua a confundir clima com meteorologia e o seu rival, Joe Biden, faz das alterações climáticas cavalo de batalha.“Precisamos de um Presidente que respeite a ciência”, defendeu.

“Se olhou para o céu hoje, pode ter visto um tom amarelo ou castanho. Estava a ver fumo dos fogos”, alertou ontem o Serviço Nacional de Meteorologia norte-americano, no Twitter. Os gigantescos fogos na costa oeste dos Estados Unidos, que já devastaram mais de dois milhões de hectares no rescaldo de uma onda de calor recordista na região, tomaram tais proporções que o fumo chegou a Nova Iorque e a Washington, na costa leste, levado por uma massa de ar. É esperado que o fumo cruze o Atlântico e chegue à Europa este fim de semana, segundo o Serviço de Monitorização da Atmosfera Copernicus.

Os impactos na saúde dos habitantes de cidades mais próximas dos incêndios, como Los Angeles e São Francisco, podem ser de longo prazo, contribuindo para um aumento das doenças respiratórias e cardiovasculares, sugerem estudos publicados no Journal of the American Heart Association. Para quem sente o fumo, os sintomas mais imediatos são irritação nos olhos, espirros, tosse e falta de ar. Contudo, os efeitos da exposição prolongada a fumo de uma população, incluindo grupos de risco, como pessoas asmáticas, grávidas e diabéticos, ainda estão por estudar. “Dantes, as pessoas eram expostas uma ou duas vezes ao longo da vida”, explicou Keith Bein, um cientista da Universidade da Califórnia, especializado no estudo da atmosfera, à National Geographic. “Agora está a acontecer todos os verões e durante mais tempo”.

Já na costa leste, o fumo estava a uma altitude demasiado elevada para se refletir na qualidade do ar, asseguraram as autoridades. Contudo, para os norte-americanos que viram o céu escurecer não deixou de ser uma lembrança de quão atípica está a ser esta época de incêndios nos EUA, à beira das eleições de 3 de novembro, em que as alterações climáticas são cada vez mais um tema quente, sendo claro que as épocas de incêndios estão a agravar-se como nunca nos EUA. Por exemplo, o recorde de área queimada no estado da Califórnia era de 2018, com uns 770 mil hectares destruídos – ontem, a Califórnia já ia em 1,3 milhões.

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