desporto.sapo.ptdesporto.sapo.pt - 17 set 13:33

Vieira retira António Costa e Fernando Medina da comissão de honra e adianta: "Se for condenado, sairei pelo meu próprio pé"

Vieira retira António Costa e Fernando Medina da comissão de honra e adianta: "Se for condenado, sairei pelo meu próprio pé"

Luís Filipe Vieira afirma que não pode permitir que o Benfica e a sua comissão de honra sejam usados "em lutas políticas que nada têm que ver com o Clube a que presido e a cuja presidência serei recandidato".

Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica e recandidato à presidência das 'águias', anunciou esta quinta-feira que retirou todos os detentores de cargos públicos da sua Comissão de Honra, o que incluí a retirada de António Costa, primeiro-ministro e de Fernando Medina, presidente da câmara municipal de Lisboa.

O presidente das águias afirma que chegou o momento de reagir depois de "uma das campanhas mais hipócritas e demagógicas de que tenho memória".

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Vieira considera que se vivem tempos onde "a justiça passou a ser feita no Facebook, nas redes sociais e nos media", afirmando que "os juízes foram substituídos por jornalistas e comentadores", "os jornais preanunciam condenações e em que líderes partidários e políticos mais populistas, propositadamente, esquecem um dos princípios básicos em que se assenta o nosso Estado de direito".

O líder encarnado afirma que o primeiro-ministro e o presidente da câmara de Lisboa, entre outros, " foram atacados de forma incompreensível e torpe, não pelo apoio que enquanto sócios do Sport Lisboa e Benfica entenderam dar-me, como já o tinham feito em 2012 e 2016 sem que se tenha assistido a qualquer tipo de alarido, mas, precisamente, pela perceção pública que, de forma concertada, os media foram ‘construindo’, deturpando e usando como catalisador de uma campanha populista de difamação".

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Luís Filipe Vieira volta a reforçar que está de consciência tranquila e que caso seja condenado num dos processos será "o primeiro a tomar a iniciativa, saindo pelo meu pé da presidência do Sport Lisboa e Benfica."

Reforçando ainda que é altura dos responsáveis políticos se preocuparem mais em "combater a tendência de transformar em sentença transitada a notícia de uma suspeita ou de uma acusação judicial", Vieira agradece a todos os benfiquistas pelos apoios que tem recebido, mas afirma que não pode permitir que "instrumentalizem o Sport Lisboa e Benfica e a minha comissão de honra em lutas políticas que nada têm que ver com o Clube a que presido e a cuja presidência serei recandidato".

Desta forma, Luís Filipe Vieira tomou a decisão de retirar da sua Comissão de Honra "todos – todos – os titulares de cargos públicos, sejam autarcas, deputados ou membros do Governo", lamentando que  "46 anos depois do 25 de Abril, se tenha de censurar quem livremente decidiu manifestar-me o seu apoio, mas o populismo e a demagogia dos dias de hoje obrigam-me a fazê-lo de forma a terminar com uma polémica injustificada e profundamente hipócrita".

O apoio de António Costa a Luís Filipe Vieira foi dado a conhecer no passado sábado pelo Jornal 'Expresso' e mereceu as críticas de representantes de quase todos os quadrantes políticos. O próprio Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou que o apoio do primeiro-ministro à recandidatura de Luís Filipe Vieira, seria um dos temas de conversa na audiência com o líder do Governo.

Leia o comunicado na íntegra:

"Depois de assistir nos últimos dias a uma das campanhas mais hipócritas e demagógicas de que tenho memória, entendo ter chegado o momento de reagir.

Vivemos tempos em que a justiça passou a ser feita no Facebook, nas redes sociais e nos media. Tempos em que os juízes foram substituídos por jornalistas e comentadores que, num registo de excessos, sem conhecimento dos factos, mas com a cumplicidade de quem os vai parcialmente alimentando com o único objetivo de contaminar a perceção pública, vão minando o espaço mediático. Tempos em os jornais preanunciam condenações e em que líderes partidários e políticos mais populistas, propositadamente, esquecem um dos princípios básicos em que se assenta o nosso Estado de direito. Tempos em que falta seriedade e rigor. Tempos em que, quando a justiça finalmente chega, já não há justiça. Tempos em que o bom-nome e a reputação das pessoas se perdem na avalancha mediática que atropela qualquer presunção de inocência.

Nos últimos quatro dias, António Costa, Fernando Medina e muitos outros foram atacados de forma incompreensível e torpe, não pelo apoio que enquanto sócios do Sport Lisboa e Benfica entenderam dar-me, como já o tinham feito em 2012 e 2016 sem que se tenha assistido a qualquer tipo de alarido, mas, precisamente, pela perceção pública que, de forma concertada, os media foram ‘construindo’, deturpando e usando como catalisador de uma campanha populista de difamação.

Repito o que já disse, estou de consciência tranquila e, se for condenado, no futuro, em algum dos processos de que nestes dias tanto se fala, serei o primeiro a tomar a iniciativa, saindo pelo meu pé da presidência do Sport Lisboa e Benfica.

É tempo de os líderes partidários, e alguns dos políticos que mais se indignaram nestes dias, estarem mais preocupados em combater a tendência de transformar em sentença transitada a notícia de uma suspeita ou de uma acusação judicial.

A presença numa comissão de honra esgota-se aí, não se prolonga para lá da eleição. Foi assim no passado e seria também assim nesta janela eleitoral. Como é meu dever, tenho de agradecer a todos os benfiquistas que até agora decidiram manifestar-me o seu apoio, mas não posso permitir que instrumentalizem o Sport Lisboa e Benfica e a minha comissão de honra em lutas políticas que nada têm que ver com o Clube a que presido e a cuja presidência serei recandidato. Não posso tolerar que este clima difamatório se prolongue, nem que seja aproveitado para atacar de forma indevida o carácter e a seriedade de quem se limitou a expressar-me, enquanto sócio, o seu apoio.

Nesse sentido, e agradecendo a todos a disponibilidade manifestada, tomei a iniciativa de retirar da minha comissão de honra todos – todos – os titulares de cargos públicos, sejam autarcas, deputados ou membros do Governo. É triste que, 46 anos depois do 25 de Abril, se tenha de censurar quem livremente decidiu manifestar-me o seu apoio, mas o populismo e a demagogia dos dias de hoje obrigam-me a fazê-lo de forma a terminar com uma polémica injustificada e profundamente hipócrita."

*Artigo corrigido às 16h16

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