expresso.ptexpresso.pt - 17 set 10:35

Mulher de jiadista português: “Não foram más intenções que me trouxeram aqui, mas provavelmente o mundo pensa isso”

Mulher de jiadista português: “Não foram más intenções que me trouxeram aqui, mas provavelmente o mundo pensa isso”

Ângela Barreto é luso-holandesa, foi para a Síria em 2014 e fez parte do Estado Islâmico. Perdeu uma filha na guerra e, até março deste ano, esteve num campo de detenção controlado pelas Forças Democráticas Sírias. Em entrevista à Revista Sábado, agora publicada, diz que quer voltar a Portugal: “não sou uma ameaça se a Europa decidir aceitar-me de volta”

Ângela Barreto, mulher de um jiadista português do Estado Islâmico, ganhou a vida no campo de detenção Al-Hol a cozinhar e vender “uma versão falsa de pasteis de bacalhau, com atum”.

Chegou àquele campo em março do ano passado, depois de Baghouz, o último bastião dos terroristas na Síria, ter sido conquistada pelas Forças Democráticas Sírias, que se opõem ao regime do Presidente Bashar al-Assad. Desde aí, esteve em diálogo com a revista Sábado durante meses, até ter conseguido sair do campo em maio, conforme noticiou o Expresso este mês.

“Não fiz nada de que me possa arrepender”, disse a jovem à revista, já depois de a filha ter morrido devido a “um fragmento de bomba no cérebro”. Ângela chegou à Síria com 19 anos e foi casada com o jiadista português Fábio Poças até à morte deste, e depois com Nero Saraiva, também português e atualmente preso no Iraque. À Sábado, disse que pretendia regressar a Portugal: “Só posso dizer que não sou uma ameaça se a Europa decidir aceitar-me de volta. (...) Só quero tomar conta do meu filho para ele não descobrir o que se passa”. Diz ainda que não concorda “com muitas coisas que foram feitas no Estado Islâmico”, mas reforça: “Não foram más intenções que me trouxeram aqui, mas provavelmente o mundo pensa isso”.

Na entrevista, a luso-holandesa garante também que durante o tempo que esteve casada com Nero Saraiva nunca o viu “sair preparado para lutar”. Questionada sobre a sua visão sobre o grupo terrorista, Ângela diz que “[ter] um Estado Islâmico para viver como um muçulmano é o ideal. Tal como um cristão ficaria feliz por viver num Estado com leis cristãs. Não sei bem o que significa “ideologia do EI”, apenas sigo o Corão e a Sunnah [as tradições do profeta Maomé]”. A portuguesa continuará na Síria, junto à fronteira com a Turquia, e tem um mandato de captura internacional em seu nome, emitido pela Holanda.

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