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PS tomará uma decisão oficial sobre as eleições presidenciais em Outubro

PS tomará uma decisão oficial sobre as eleições presidenciais em Outubro

O secretário-geral adjunto do PS, José Luís Carneiro, elogiou a “boa cooperação” com Marcelo Rebelo de Sousa e diz que o perfil de um Presidente da República é mais importante do que a sua cor política. Mas sobre as presidenciais, o partido só dará

Com a entrada de Ana Gomes na corrida a Belém, as críticas ao silêncio do PS sobre as eleições presidenciais adensaram-se, nomeadamente por parte de históricos socialistas. Esta quinta-feira, o secretário-geral adjunto, José Luís Carneiro, disse que o fim do silêncio estava próximo e que o partido se pronunciará já no próximo mês, em Outubro, na sequência do encontro da Comissão Nacional do PS que debaterá a questão internamente. “É isso que está previsto”, declarou esta quinta-feira, em entrevista ao podcast do PS, Política com Palavra.

Sobre o perfil do próximo ou da próxima Presidente da República, José Luís Carneiro traça como qualidade “essencial” o “exigente exercício” de “equilíbrio e moderação na relação entre todos os poderes da Assembleia da República”. E será esse perfil que o PS irá apoiar nesta eleição presidencial e não um candidato “de esquerda” ou “de direita”, avisou o secretário-geral adjunto socialista, que elogiou a “boa cooperação” entre o PS e Marcelo Rebelo de Sousa.

José Luís Carneiro – que no início do podcast se gabou das suas qualidades desportivas no futebol – comprometeu-se com uma tomada de posição sobre as eleições presidenciais em Outubro depois de, ao longo da entrevista, ter chutado o tema para canto, afirmando que uma candidatura presidencial “é, em primeiro lugar, um acto de responsabilidade individual, de responsabilidade pessoal, daquelas e daqueles cidadãos que se querem habilitar ao desempenho dessa função”, recusando comentar (ou mesmo referir) o nome da socialista Ana Gomes.

Segundo o secretário-geral adjunto socialista, as eleições presidenciais não estão “na lista de prioridades nas quais o PS tem um papel activo”, quer na escolha dos candidatos, quer na mobilização dos seus recursos e militantes, como acontece nas eleições regionais dos Açores e nas eleições autárquicas, exemplificou.

Uma candidatura presidencial é, em primeiro lugar, um acto de responsabilidade individual, de responsabilidade pessoal, daquelas e daqueles cidadãos que se querem habilitar ao desempenho dessa função José Luís Carneiro, secretário-geral adjunto do PS

José Luís Carneiro desvalorizou o silêncio socialista sobre a corrida a Belém, justificando que o partido está focado na resposta à pandemia de covid-19. “Estamos concentrados hoje, e desde há mais de seis meses, a fazer face a uma das maiores crises sociais e económicas pela qual o mundo passou”, justificou. “É um esforço que tem concentrado o essencial das energias do PS, quer no grupo parlamentar, quer no Governo.”

Marcelo é o Presidente da direita? “É uma terminologia simplista"

Sobre o actual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, José Luís Carneiro assinalou “a boa cooperação institucional, tanto no plano da política interna como da política externa”, que considerou “essencial para virar a página da austeridade e para garantir a estabilidade do sistema político português”. O ex-secretário de Estado das Comunidades Portuguesas elogiou ainda o “sentido de Estado” de Marcelo Rebelo de Sousa.

Nessa lógica, o perfil que o PS defende para ocupar o Palácio de Belém “tem de ser o perfil que melhor sirva os valores constitucionais”. “É relevante garantir que as opções que vierem a ser adoptadas” garantam o que próximo chefe de Estado “respeita as competências atribuídas ao Presidente da República na relação com os outros órgãos de soberania, no respeito e equilíbrio da separação de poderes”, bem como “o respeito pelos poderes que lhe são próprios” e “os poderes na dimensão da política externa”.

Por isso, José Luís Carneiro afastou as críticas à proximidade entre o PS e Belém, argumentando que reduzir Marcelo Rebelo de Sousa a um candidato de direita é uma “terminologia simplista” e dizendo que o perfil presidencial é mais relevante do que a sua cor política. “Dado o modo com têm sido formuladas publicamente, [essas terminologias] têm sido bastante simplistas, e estão por vezes bastante distantes da realidade, das opções quotidianas”, declarou. “Por vezes encontramos personalidades que são progressistas nos valores e depois mais conservadores na dinâmica económica”, acrescentou.

José Luís Carneiro deixou as críticas à direita para Rui Rio pela abertura do líder do PSD para conversar com o Chega, numa declaração de Rui Rio em entrevista à RTP, em Julho. O responsável do PS considera que esse foi “um momento baixo”, uma opção “muito crítica e muito grave”. “São opções que cabem na soberania do PSD e que temos o dever de respeitar. Mas essa [é uma] deriva para uma dimensão extremista de direita, em contacto com a extrema-direita da Europa e do mundo”, assinalou. Caso Rui Rio avance nessa intenção será “uma fuga à moderação e ao equilíbrio” que se exige a um partido social-democrata, concordando com as declarações do vice-presidente do PSD, que em entrevista ao PÚBLICO disse que era “preciso ter coragem para ser moderado em Portugal”.

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