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Banco de Portugal defende negócios do Novo Banco

Banco de Portugal defende negócios do Novo Banco

Supervisor financeiro diz que o Novo Banco fez boas vendas e que podia fazer negócio com empresas ligadas ao acionista Lone Star.

O Banco de Portugal não tem dúvidas: o Novo Banco fez bons negócios na venda de crédito malparado e imóveis que herdou do antigo Banco Espírito Santo. Ao contrário dos partidos com assento parlamentar, que ontem bombardearam o presidente executivo do Novo Banco com questões e dúvidas sobre os negócios do banco, o supervisor financeiro está tranquilo.

Numa resposta a um requerimento feito pelo Bloco de Esquerda, o Banco de Portugal justifica que o Fundo de Resolução considerou, “face aos elementos factuais disponíveis, que as mesmas (operações de venda) foram realizadas em condições adequadas de mercado e que os preços obtidos corresponderam ao melhor preço que seria possível obter, em cada momento e circunstância, para o conjunto dos ativos em venda”.

Na resposta, que chegou ao parlamento no dia 11 de setembro, o Banco de Portugal explica ainda que o Novo Banco não está impedido de fazer negócios com sociedades e fundos com ligações ao seu acionista principal – a norte-americana Lone Star. Segundo a instituição agora liderada por Mário Centeno, ex-ministro das Finanças, desde que as vendas sejam feitas dentro das condições de mercado, os ativos podem ser vendidos a associadas da Lone Star. “A finalidade da cláusula que limita a realização de vendas de ativos a partes relacionadas foi, por isso, plenamente atingida, através da análise concreta dos processos de venda, das suas condicionantes e dos seus termos”, destaca o Banco de Portugal.

Ramalho explica-se

Opinião diferente do Banco de Portugal têm os deputados que ontem pediram explicações ao presidente executivo do Novo Banco, que foi ouvido na Comissão de Orçamento e Finanças. Entre as dúvidas, estão precisamente aquelas relativas aos compradores últimos de algumas carteiras de imóveis e também da seguradora GNB Vida.

Durante cerca de quatro horas, António Ramalho defendeu-se e contra-atacou. Acusou os partidos de estarem a querer usar o Novo Banco como arma política. E explicou que, sobre a venda dos ativos, havia um prazo de dois anos para ser concretizada.

O presidente executivo do Novo Banco reiterou que a venda de imóveis e crédito malparado “em pacote, era inevitável”, porque as alienações tinham de ser aceleradas e porque se o banco vendesse os ativos um a um, levaria “entre 14 e 20 anos” a desfazer-se das carteiras em causa. Também indicou que o banco tem concedido crédito a entidades que compram os seus imóveis, frisando que o Novo Banco tem autorização para o fazer desde 2014. Além disso, sublinhou que a concessão de crédito a compradores faz subir o preço da receita da alienação entre 6% e 7%.

Ainda sobre a venda de imóveis, António Ramalho disse ontem no parlamento que já tem um parecer independente sobre as operações que o banco fez. O parecer diz que as vendas de imóveis “foram de grande qualidade” e que “as vendas foram feitas acima do preço do mercado”, garante o presidente do Novo Banco. Ramalho garantiu que vai entregar um resumo do documento aos deputados.

Ligações ao Benfica em destaque

Várias das perguntas dos deputados foram sobre a relação do Novo Banco com a SAD benfiquista e com o presidente do clube encarnado, Luís Filipe Vieira. Sobre este último, António Ramalho revelou que o Fundo de Resolução tem em curso uma auditoria específica para que seja analisada em profundidade a questão dos créditos de Luís Filipe Vieira. Mariana Mortágua, deputada bloquista, questionou” onde é que está a auditoria que ia ser feita aos negócios com Vieira”. A deputada referia-se a reestruturações de créditos feitas pelo Novo Banco, com Mortágua a lembrar que o banco deixou de ser credor e passou a ser um sócio, tendo o filho de Vieira ficado a gerir os negócios.

Sobre o Benfica, o CEO do Novo Banco afirmou que é uma tema que o “escandaliza” e revelou que pediu ao presidente da SAD encarnada, Domingos Soares de Oliveira, para o libertar do sigilo bancário. Para Ramalho, “é inaceitável que se trate deste tema com as notícias que saem, quando em causa está um cliente que tinha 202 milhões de euros em dívida” na era do BES. E frisou que o banco tem vindo a reduzir velozmente a sua exposição ao Benfica, porque a SAD cumpre com os pagamentos.

Desde a venda do banco em 2017, já foram injetados 2.976 milhões de euros no Novo Banco através do Fundo de Resolução. Ramalho admitiu, em entrevista ao DV/TSF que poderá haver nova injeção em 2021.

Com Paulo Pinto.

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