www.sabado.ptleitores@sabado.cofina.pt (Sábado) - 16 set 18:01

Os bancos da nossa vida

Os bancos da nossa vida

Mostramos, com base em auditorias, denúncias e queixas de clientes como os bancos se tornaram uma presença constante nas nossas vidas – e não foi por escolha nossa. E fomos ver se a proibição de venda de álcool a partir das 20h levou mais gente aos casinos - Opinião , Sábado.
Há muito que os bancos deixaram de ser apenas um local onde guardamos o nosso dinheiro. Em muitos casos, através dos empréstimos para a compra de casa, carro, etc., a relação com as instituições bancárias transforma-se numa das mais duradouras das nossas vidas. Mas essas são escolhas individuais. Aquilo a que temos assistido nos últimos anos é algo diferente: o caos na gestão de alguns bancos portugueses, conjugada com a promiscuidade entre a política e a banca, as más práticas e as falhas da supervisão têm levado o Estado a injetar muitos milhões de euros – ou seja, dinheiro dos contribuintes que deixa de ser usado em despesa social – para tapar os sucessivos buracos. Ao mesmo tempo os bancos passaram a pagar menos pelos depósitos das famílias, aumentaram as comissões bancárias e criaram produtos lesivos que originaram incontáveis queixas no Banco de Portugal e na Deco. No tema de capa desta edição, os jornalistas Ana Taborda e Bruno Faria Lopes mostram, com base nas mais recentes auditorias, em denúncias de más práticas e queixas de clientes como os bancos se tornaram uma presença constante nas nossas vidas – e não foi por escolha individual.

Álcool em pandemia
Para perceber se a proibição da venda de álcool a partir das 20h levou os mais novos a frequentar casinos e bingos, o repórter Marco Alves passou três noites a trabalhar em horário pós-laboral nos casinos do Estoril e de Lisboa e no Bingo de Os Belenenses. Se andar pelos casinos sem jogar não levanta problema, já no bingo é mais difícil passar despercebido, uma vez que é necessário ocupar uma mesa. Para disfarçar pediu um prego e uma imperial – e descobriu que o prego no pão era tão bom que acabou a pedir outro. Enquanto o saboreava foi observando quem chegava, o que fazia e se as regras de higiene e segurança eram cumpridas.

A antropóloga Catarina Barata durante a entrevista com a jornalista Catarina Moura

Estilista dos milionários
Durante a conversa com João Rolo, a jornalista Sónia Bento percebeu que, se não fosse a pandemia, provavelmente o estilista não só não conseguiria estar mais de três horas numa entrevista, como nem sequer a teria conseguido receber no seu ateliê em Lisboa. Tal só foi possível porque o mundo das festas também parou. E não, não se trata de eventos em Portugal. João Rolo faz vestidos à mão (com preços a partir de 5 mil euros) para as grandiosas festas no Médio Oriente, Mónaco e para as maiores passadeiras vermelhas. Agora, tem todo o tempo para se dedicar aos vestidos que Teresa Guilherme usa aos domingos, nas galas do Big Brother – algo que, diz, faz "por amizade".

Sem festas internacionais, João Rolo faz os vestidos para Teresa Guilherme “por amizade”

Boa semana.
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