expresso.ptexpresso.pt - 16 set 22:06

“Esta é a descoberta do século”: uma história sobre Vénus e uma investigadora portuguesa

“Esta é a descoberta do século”: uma história sobre Vénus e uma investigadora portuguesa

Um novo significado de vida extraterrestre foi revelado esta semana e está relacionado com um sinónimo de destruição: em causa está a fosfina, uma molécula rara utilizada na Terra para produzir armas químicas durante a Primeira Guerra Mundial ou, mais recentemente, pelo Daesh. Mas tudo é diferente nas densas e ácidas nuvens de Vénus, onde microorganismos sem necessidade de oxigénio podem ser nossos vizinhos. Trata-se de uma descoberta divulgada esta segunda-feira e que teve a contribuição da astrofísica portuguesa Clara Sousa-Silva, investigadora do MIT. Eis a “Doutora Fosfina”, como é conhecida, que em entrevista ao Expresso afirma que “a ciência portuguesa aguenta-se muito bem no palco mundial”

Clara recorda-se exatamente do momento em que a astronomia começou a gravitar na sua vida. Tinha 12 anos. Estava em Lamego com os pais durante um eclipse solar enquanto eles lhe descreviam, com enorme precisão, o que estava a acontecer e a hora exata em que a Lua iria cobrir o Sol. Fez-se luz. “Pareceu-me, com aquela idade, que eles eram as pessoas mais poderosas do mundo. Eles explicaram-me que não eram mágicos, disseram-me que saber os céus era um emprego”, lembra Clara Sousa-Silva, nascida no Porto há 33 anos e que há quatro atracou nos Estados Unidos como astrofísica molecular do MIT. Ela é a “Doutora Fosfina”, uma das responsáveis por fazer a humanidade sonhar com uma vida nas nuvens de Vénus.

Como foi a odisseia pelo Espaço que levou a pequena Clara a tornar-se a "Doutora Fosfina"?
Comecei a tentar aprender tudo o que podia sobre o Espaço. Inicialmente apontava para coisas grandes, como galáxias ou buracos negros, mas depois apercebi-me do fascínio das coisas mais pequenas. Comecei a ficar muito interessada em perceber o que acontece em exoplanetas, tão distantes e pequeninos que não podemos ver. Entusiasmava-me perceber as suas atmosferas e, nessa altura, aprendi que para analisar as atmosferas destes planetas é preciso saber química quântica. É preciso compreender como as moléculas interagem com a luz que atravessam a atmosfera e foi isso que fiz no meu doutoramento, no Colégio Universitário de Londres. Especializei-me em fosfina, especificamente a analisar e a calcular exatamente como a fosfina interage com luz.

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