www.publico.ptpublico.pt - 16 set 19:22

Presidentes de junta repudiam iniciativa que evitou abate de árvores no Cabedelo

Presidentes de junta repudiam iniciativa que evitou abate de árvores no Cabedelo

Autarcas de três freguesias referem que os moradores que impediram o abate de 20 árvores, previsto para a construção de uma rotunda enquadrada no novo acesso entre o porto de mar e a A28, estão a “prejudicar desenvolvimento económico da região”.

É com repúdio que os presidentes das juntas de freguesia de Vila Nova de Anha, de Chafé e de São Romão de Neiva, todas elas situadas na margem sul do rio Lima e contempladas pelo novo acesso de 8,8 quilómetros entre o porto de mar de Viana do Castelo e a A28, olham para a iniciativa que impediu o abate de cerca de 20 dos 170 plátanos da avenida do Cabedelo, na freguesia de Darque, na manhã de segunda-feira. Graças a um embargo extrajudicial, a Associação de Moradores do Cabedelo travou a intervenção municipal que visa a construção de uma rotunda no local, mas os autarcas das outras freguesias contempladas pela nova via mostram-se desagradados com a suspensão da obra e pedem a sua retoma com a “máxima urgência”, numa nota enviada às redacções nesta terça-feira.

“As juntas cujas populações serão servidas directamente pelos novos acessos vêm publicamente repudiar a iniciativa de alguns moradores do Cabedelo, em Darque, em interromper a última fase de construção daquela via fundamental para Viana do Castelo”, lê-se na nota assinada pelo autarca socialista de Vila Nova de Anha, Filipe Silva, e pelos independentes de Chafé, António Lima, e de São Romão de Neiva, Manuel Salgueiro.

Para Manuel Salgueiro, responsável por uma freguesia com um parque industrial, onde o novo acesso se une à A28, a nova via é uma “alavanca económica” não só para as localidades que atravessa, mas também para parque industriais como o de Lanheses, também no concelho de Viana, onde se produzem pás eólicas, por exemplo. “Os camiões têm de as transportar para o porto de mar e, sem aquele acesso, é quase impossível fazer esse transporte”, afirma ao PÚBLICO. O autarca considera que os moradores do Cabedelo estão a “prejudicar o desenvolvimento económico da região”, nomeadamente o de Darque, a seu ver a “freguesia mais beneficiada” pela obra, face à esperada remoção do tráfego rodoviário da Estrada Nacional 13.

As juntas de freguesia vincam ainda, na nota emitida, que o traçado da nova via foi “discutido em tempo útil” e “devidamente aprovado” pela Câmara Municipal de Viana do Castelo, pela Assembleia Municipal de Viana do Castelo e pelas assembleias de freguesia envolvidas.

PCP pede reavaliação

O assunto vai ser discutido na reunião extraordinária do executivo municipal, agendada para as 15h de sexta-feira, e a Organização Regional de Viana do Castelo do PCP, partido que lidera a freguesia de Darque e que apoia a iniciativa dos moradores do Cabedelo, quer uma reavaliação do traçado da nova via. “A Câmara Municipal nunca teve uma oportunidade tão boa para colocar os problemas inerentes a este empreendimento na mesa e superá-los. Há que reconhecer que as objecções ao projecto são justas e ver como melhorar a situação”, refere a nota enviada às redacções nesta terça-feira.

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