expresso.ptexpresso.pt - 16 set 07:32

Barbados vai ‘despedir’ a rainha Isabel II

Barbados vai ‘despedir’ a rainha Isabel II

Ilha das Caraíbas, cuja chefe de Estado é a rainha britânica, quer passar a ser uma República até novembro de 2021. Data coincide com 55.º aniversário da independência

Soberana de 16 estados, a mulher que o mundo conhece como “rainha de Inglaterra” pode em breve perder um dos seus tronos. Barbados, um pequeno país insular nas Caraíbas, anunciou terça-feira que pretende dotar-se de um chefe de Estado próprio até novembro de 2021. O anúncio foi feito num discurso escrito pela primeira-ministra barbadiana, Mia Mottley.

“Chegou o tempo de deixarmos para trás o nosso passado colonial. Os barbadianos querem um chefe de Estado barbadiano”, reza o discurso, lido pela governadora-geral de Barbados, Sandra Mason, representante máxima de Isabel II na ilha. Passar a República será uma “declaração de confiança no que somos e naquilo que somos capazes de alcançar”. Nas palavras redigidas por Mottley, “tendo conquistado a independência há mais de meio século, o nosso país não pode ter dúvidas sobre sua capacidade de autogoverno”.

Mason falava durante a abertura da sessão legislativa em Bridgetown, capital da ilha. A sua intervenção, que é quase exclusivamente cerimonial, espelha o que sucede anualmente na abertura do Parlamento britânico, em que Isabel II lê um discurso escrito pelo Governo do Reino Unido. Em Barbados, a sua representante também lê um texto da lavra do Executivo local.

Jamaica também quer ser República

O prazo estipulado coincide com o 55.º aniversário da independência de Barbados, conquistada a 30 de novembro de 1966. Na altura o país escolheu (como muitas ex-colónias do Reino Unido, incluindo o Canadá, a Austrália e a Nova Zelândia, membros da Commonwealth) manter a rainha britânica como chefe de Estado.

A causa republicana teve grande impulso em 1998, quanto uma comissão de revisão constitucional recomendou o abandono da monarquia. Outras nações que já dispensaram Isabel II como chefe de Estado são Trindade e Tobago, Dominica e a Guiana. A Jamaica pondera fazê-lo a curto prazo, através de referendo.

Isabel II reina desde 1952 no Reino Unido, e ainda em Antígua e Barbuda, Austrália, Baamas, Barbados, Belize, Canadá, Grenada, Jamaica, Nova Zelândia, Papua Nova Guiné, São Cristóvão e Nevis, Santa Lícia, São Vicente e Granadinas, ilhas Salomão e Tuvalu. Chamam-lhe “rainha de Inglaterra” mas esse cargo é inexistente desde que em 1707 os reinos da Inglaterra e da Escócia decidiram fundir-se num só, criando o Reino Unido da Grã-Bretanha, que em 1801 passou a Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda e em 1922, com a independência irlandesa, se tornou o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte.

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