rr.sapo.ptOpinião de Ribeiro Cristovão - 16 set 07:29

Um tiro no porta-aviões

Um tiro no porta-aviões

A equipa comandada por Jorge Jesus foi ao tapete, sofreu uma derrota humilhante e lançou sombras sobre o seu futuro mais imediato.

Para o Benfica começou da pior maneira a temporada oficial de futebol.

Chamado a competir na Liga dos Campeões, a equipa comandada por Jorge Jesus foi ao tapete, sofreu uma derrota humilhante e lançou sombras sobre o seu futuro mais imediato.

Na Grécia, o Benfica entrou frente ao PAOK como favorito, tão claras eram, à partida, as diferenças entre a qualidade dos jogadores das duas equipas em confronto.

E a primeira parte do jogo no Toumba até confirmou essa imagem. No entanto, faltaram os golos que os encarnados justificaram mas não foram capazes de marcar. Na segunda parte, a face do jogo alterou-se, com os gregos a tomarem conta das operações e, mais agressivos, foram mesmo capazes de marcar por duas vezes, definindo muito cedo o desfecho.

Ganhou a formação mais eficaz, que mereceu chegar ao fim em vantagem, e atirou os portugueses borda fora de uma competição na qual haviam depositado justificadas aspirações. Um fiasco que ressuscita fantasmas de Luis Filipe Vieira e de Jorge Jesus, e que comporta consequências de tomo.

Antes de mais, a impossibilidade de encaixar, à partida, quarenta milhões de euros, uma almofada importante e indispensável para acautelar o futuro do Benfica. Sem essa verba, os propósitos do clube encarnado fazem marcha-atrás de forma irreversível.

Depois, deitam por terra o propósito de continuar a atacar o mercado, para assim garantir a contratação de jogadores de que o técnico continua a dizer necessitar. Luis Filipe Vieira já investiu mais de oitenta milhões e, apesar das exigências do seu treinador, vai ter de abandonar a política seguida até aqui.

Ainda, a necessidade de vender o passe de alguns jogadores. Só que, depois do desafio de ontem, do qual alguns saíram claramente desvalorizados, o Benfica vai ter de baixar claramente a fasquia das suas pretensões.

Por exemplo, Vinicius vê a sua cotação baixar inapelavelmente: ficou no banco durante largo tempo e, quando foi lançado no jogo, a sua produção não foi além do zero.

Finalmente, as eleições. O desaire de Salónica poderá não significar já uma derrota de Vieira, mas não restam dúvidas de que entre a nação benfiquista o debate vai subir de tom, gerando algum desconforto ao actual presidente e candidato à recondução.

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