www.publico.ptpublico.pt - 16 set 17:00

Lagos quer ver “Zero Beatas” no chão

Lagos quer ver “Zero Beatas” no chão

Câmara Municipal de Lagos lançou a campanha de sensibilização ambiental “Zero Beatas”. Com um conjunto de medidas novas, o município quer alertar a população para o impacto que uma beata pode ter no ambiente.

“Um segundo a chegar ao chão, cinco anos a sair do mar” é o mote da nova campanha lançada pela Câmara Municipal de Lagos, no Algarve, para atingir as Zero Beatas. O principal objectivo é alertar os cidadãos para o impacto que uma beata por ter no meio ambiente e, através de uma série de iniciativas, reduzir a poluição do solo e das águas.

PÚBLICO - Foto Câmara Municipal de Lagos

A ideia é que a mensagem “colocar as beatas num cinzeiro demoraria o mesmo tempo” se faça ouvir. Para além da divulgação da campanha através da comunidade e das redes sociais, a autarquia colocou seis estruturas em formato de cigarro pelas ruas de Lagos e da Vila da Luz, com uma mensagem de apelo à responsabilidade social. Além disso, vai ser implementado um novo modelo de papeleiras com cinzeiros e o posicionamento das mesmas foi também alargado às zonas balneares. Até agora, foram substituídas 300 papeleiras. 

Em Portugal, estima-se que sete mil beatas sejam atiradas para o chão a cada minuto. A lei portuguesa já estabelece regras e medidas para mitigar esta problemática. Proposta pelo PAN, a lei nº88/2019 estabeleceu uma multa entre 25 a 250 euros por cada ponta de cigarro, charuto e outros derivados encontrados no chão, em vigor desde 3 de Setembro de 2020. Os estabelecimentos foram igualmente abrangidos pela nova legislação: restaurantes, espaços comerciais, alojamentos locais e plataformas de transportes públicos que não disponibilizarem cinzeiros estão sujeitos a uma coima entre os 250 e os 1500 euros. Publicada a lei, em 2019, fora estabelecido um período transitório de adaptação de um ano para que os espaços tivessem oportunidade para efectuar as alterações necessárias. Este período terminou, precisamente, a 3 de Setembro de 2020. 

Entre 1986 e 2018, o objecto mais encontrado em praias nacionais e internacionais foi a beata de cigarro. De tal modo que, no período em questão, foi recolhido um total de 60 milhões de beatas. Estes dados foram divulgados pela organização não-governamental (ONG) Ocean Conservancy, que promove um programa de limpeza das zonas balneares, o CleanUp. Todos os anos, esta ONG publica um relatório com os resultados dos programas de limpeza do ano anterior. No relatório de 2020, respeitante a 2019, a Ocean Conservancy contabilizou e recolheu mais de quatro milhões e 200 mil beatas; nesse ano, as embalagens de comida foram os objectos mais encontrados nas praias de todo o mundo (mais de quatro milhões e 771 mil).

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A par com a Ocean Conservancy, outras organizações e outros países tomaram iniciativas para reduzir a poluição das praias e das águas e, mais especificamente, a poluição proveniente do elevado número de beatas atiradas para o chão. Em França, por exemplo, seis corvos foram treinados para apanhar lixo, incluindo beatas, num parque temático francês. Em Portugal, várias campanhas foram criadas com base nesta batalha. Ainda em 2020, foi proposto o projecto Gaia #100Beatas, por Tatiana Pereira, para implementar cinzeiros interactivos para a recolha das pontas de cigarro no município.

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Texto editado por Ana Maria Henriques

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