www.publico.ptopiniao@publico.pt - 16 set 00:00

Os mundicordiosos

Os mundicordiosos

Este breve percurso pelo mundo — como palavra, mais do que como realidade — fala-nos de um anseio que ainda não nos abandonou: o de que o nosso mundo seja algo de harmónico e não caótico, algo mais do que uma simples esfera sem vida, mas um esplendo

Nas Confissões de Agostinho de Hipona, mais conhecido por Santo Agostinho, no seu livro undécimo, aparece no original latino uma palavra intrigante: “mundicordes.” Não é fácil à primeira perceber o que ela significa. Mas como aparece ao lado de outra com a terminação igual, “misericordes”, que por sua vez é mais parecida com uma palavra portuguesa que ainda usamos, “misericordiosos”, dá para começar a tentar adivinhar. Se misericordes significa “misericordiosos”, mundicordes significaria… “mundicordiosos”? Mas que diabo será mundicordiosos? Os que estão de acordo com o mundo? Os que se acordam, no sentido de se porem em sintonia, ou em harmonia, com o mundo?

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