expresso.ptexpresso.pt - 15 set 23:15

Patrulhamento na costa algarvia aumentou “consideravelmente” desde janeiro após segundo desembarque de migrantes

Patrulhamento na costa algarvia aumentou “consideravelmente” desde janeiro após segundo desembarque de migrantes

Desde dezembro estacionaram no Algarve seis embarcações com 97 migrantes. Esta terça-feira aconteceu o sexto episódio, na ilha Deserta, em Faro. O comandante da Zona Marítima do Sul confirmou ao Expresso que o aumento de patrulhamento, quer no mar quer na terra, ocorreu depois do segundo desembarque em janeiro

O patrulhamento marítimo e terrestre na costa sul de Portugal aumentou “significativamente” desde janeiro, altura em que chegou uma segunda embarcação proveniente de Marrocos, mais exatamente de El Jadida, perto de Casablanca, com 11 pessoas no interior. De lá para cá, chegaram outras quatro, perfazendo um total de 97 migrantes a desaguar no território algarvio. O último desembarque ocorreu esta terça-feira, na ilha Deserta, em Faro.

“Aumentámos consideravelmente o patrulhamento”, confirma ao Expresso o comandante da Zona Marítima do Sul, Fernando Rocha Pacheco. “Temos mais patrulha permanentemente no mar neste momento. Quer através de meios da marinha, quer da polícia marítima, temos permanentemente meios a patrulhar o mar. Mas o mar é muito grande, portanto não obstante disso eles conseguiram passar… Desde janeiro, a partir do segundo desembarque, aumentámos consideravelmente a nossa taxa de esforço, quer no mar quer através da vigilância em terra, a partir de costa, com diversos meios náuticos e de vigilância.”

O que outrora foi algo muito pontual, hoje em dia é algo banal: “Temos presença permanente no mar na costa sul, algo que aconteceu muito pontualmente, e nós estamos a tê-lo de forma muito consistente”.

O episódio desta terça-feira aconteceu na ilha Deserta, em Faro, quando uma embarcação de sete metros, com 18 cavalos de potência, em tudo semelhante às embarcações dos desembarques anteriores, estacionou por ali com 28 migrantes no interior. As autoridades foram informadas por populares, pelas 13h30. Para o local foram mobilizados diversos meios da polícia marítima e da GNR. A embarcação já estava vazia, por isso foram colocadas em marcha as buscas para reunir aquelas 28 pessoas.

“Os 28 migrantes, alegadamente oriundos do Norte de África, que foram hoje detetados ao largo da Ilha Deserta, na Ria Formosa, vão ser instalados na Base de Apoio Logístico do Algarve em Quarteira, onde será assegurada a realização dos testes à covid-19 e garantida a assistência humanitária, em particular as necessidades básicas de alimentação e assistência médica”, informou o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, numa nota enviada às redações.

Naquela embarcação viajavam 24 adultos do sexo masculino, três do sexo feminino, uma das quais grávida, e um menor, que ficarão entregues à GNR e ao SEF. De acordo com o comandante Rocha Pacheco, todos aparentavam estar bem de saúde. Embora menos expressivos do que noutros casos já vivenciados, alguns deles admitiram que eram provenientes de Marrocos, tal como nos outros cinco casos acima descritos.

“Durante o dia de amanhã [quarta-feira] serão promovidas todas as diligências necessárias, designadamente junto das instâncias judiciais, para avaliação da situação e promoção das medidas adequadas ao caso”, informa ainda o SEF.

"Os números são pouco significativos e as chegadas pouco consistentes para se poder falar de uma nova rota migratória"

Será esta uma nova rota de migrantes? "A Organização Internacional para as Migrações das Nações Unidas (OIM) mantém a sua posição de que os números são pouco significativos e as chegadas pouco consistentes para se poder falar de uma nova rota migratória", disse ao Expresso a porta-voz daquela instituição em Portugal. "No entanto, a OIM continua preocupada com as pessoas que se sujeitam a fazer travessias perigosas e irregulares em que possam perder a vida, sobretudo no caso de migrantes vulneráveis, como mulheres e crianças."

E acrescentou: "A OIM reitera o seu apelo para se combaterem os grupos criminosos de contrabando mas também na importância de promover alternativas seguras e regulares à migração irregular. É necessária uma resposta mais ampla, abrangente e internacional".

Em janeiro, após o segundo desembarque de migrantes no Algarve, o porta-voz da OIM admitiu ao Expresso que aquele evento podia "ser um indicador numa fase bastante inicial" de que estaríamos perante uma nova rota de migração ilegal. E continuou: “É possível que seja mas a verdade é que não temos ainda dados consistentes que suportem isso. As 19 pessoas que chegaram em dois meses ao Algarve são as que chegam frequentemente de uma só vez, num só barco, ao sul de Espanha”.

Na altura, há qualquer coisa como oito meses, aquela organização admitia que a quebra do número de chegadas ao sul de Espanha poderia indicar que Portugal poderia eventualmente transformar-se numa nova porta de entrada na Europa. “Grande parte do investimento no controlo de imigração no sul Espanha foi diretamente aplicado em Marrocos", disse ao Expresso o porta-voz da OIM. "Muitos marroquinos abortaram as viagens que tinham planeadas. Não é óbvio que isso signifique que vá diminuir ali e surgir noutro lugar. Não posso confirmar mas é possível que este tráfego de pessoas mude", dizia então.

O SEF, na altura, referia que "para já não há indícios nas análises de risco de que Portugal faça ou venha a fazer parte das rede de tráfico de pessoas".

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