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Procuradora-geral de Nova Iorque acusa NRA de corrupção e pede a sua dissolução

Procuradora-geral de Nova Iorque acusa NRA de corrupção e pede a sua dissolução

Democrata Letitia James processa a poderosa organização pró-armas norte-americana, alegando que os seus dirigentes desviaram milhões de dólares para uso pessoal.

A procuradora-geral do estado norte-americano de Nova Iorque, Letitia James, anunciou ter movido um processo judicial à National Rifle Association (NRA) esta quinta-feira, acusando os seus principais dirigentes de corrupção, fraude e desvio de fundos, e exigindo a dissolução da poderosa e influente organização pró-armas dos Estados Unidos.

James alega que o director-executivo, Wayne LaPierre – no posto há quase 40 anos –, e três outros detentores de altos cargos da NRA utilizaram recursos e doações de instituições de caridade à organização sem fins lucrativos, para pagarem viagens privadas, férias em locais paradisíacos e refeições dispendiosas. 

Segundo a procuradora-geral, membro do Partido Democrata, aquele tipo de práticas fraudulentas já dura há várias décadas. Só nos últimos três anos, denuncia, custaram cerca de 64 milhões de dólares (mais de 53 milhões de euros) aos cofres da NRA. 

Um dos exemplos destacados por James é a série de oito viagens de jacto privado, realizadas por LaPierre, às Bahamas, num custo total de 500 mil dólares.

Letitia James pede, por isso, a um tribunal de Nova Iorque que dissolva a NRA e que os quatro visados sejam impedidos de dirigir qualquer outra organização sem fins lucrativos do estado – onde tem a sua sede, em Virgínia.

“A influência da NRA é tão poderosa, que a organização não foi investigada durante décadas, enquanto os seus executivos de topo canalizaram milhões [de dólares] para os seus próprios bolsos”, acusou James, num comunicado, citada pelo Washington Post.

“A NRA está atolada em fraude e abusos e é por isso que procuramos dissolvê-la, porque nenhuma organização está acima da lei”, defendeu.

A NRA é a maior e mais influente organização de defesa e promoção do uso de armas de fogo nos EUA e da Segunda Emenda da Constituição norte-americana.

O lobby altamente profissionalizado, junto de empresários e dirigentes políticos de todo o país, tem contribuído para o chumbo de praticamente todas as propostas legislativas que visam apertar o controlo da compra e venda de armas em território norte-americano – uma das causas para o longo histórico de violência e de tiroteios nos EUA, segundo os críticos da NRA.

A organização reagiu ao anúncio da procuradora-geral de Nova Iorque dizendo que o processo judicial é “um ataque premeditado e infundado”, cujo objectivo é influenciar a opinião pública antes das eleições presidenciais de Novembro – são conhecidas as ligações próximas entre a NRA e o Partido Republicano e, particularmente, com o Presidente Donald Trump.

“Não só não vamos fugir desta luta, como vamos enfrentá-la e vencê-la”, afiançou a presidente da NRA, Carolyn Meadows, citada pela Reuters.

Trump também saiu em defesa da NRA. Em conversa breve com os jornalistas na Casa Branca, o chefe de Estado norte-americano rotulou a acção jurídica interposta por James como uma “coisa terrível” e sugeriu que a associação mudasse a sua sede para o Texas ou para outro estado pró-armas.

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