expresso.ptexpresso.pt - 2 ago 16:09

Covid-19. Carla Basílio, anestesista no Hospital de São João: “Nada é melhor que ver o alívio de um doente por se sentir vivo”

Covid-19. Carla Basílio, anestesista no Hospital de São João: “Nada é melhor que ver o alívio de um doente por se sentir vivo”

Carla Basílio. Médica anestesista e intensivista no Hospital de São João, no Porto

Está à vontade quando em causa estão os aspetos técnicos da profissão, mas é cautelosa quando o assunto são emoções. A conversa com Carla Basílio é reveladora dos riscos que correm os anestesistas, os profissionais de saúde mais expostos ao vírus. Cabe-lhes ajudar a ligar os doentes críticos aos ventiladores e são eles que os extubam. Uma viagem às profundezas dos cuidados intensivos.

Como foi trabalhar numa especialidade tão exposta à doença sobre a qual se sabe tão pouco?

Foi tudo novidade. Estou na unidade exclusivamente dedicada aos doentes covid. Continua a ser uma doença muito desconhecida e temos aprendido com os doentes. Sabíamos que a disseminação era feita preferen­cialmente pela emissão de partículas via aérea e há vários procedimentos com os quais lidamos todos os dias nos cuidados intensivos que são de risco, com maior probabilidade de esses aerossóis serem disseminados, nomeadamente, nas fases de entubação e extubação. O que fizemos, à luz das orientações internacionais, foi desenharmos um protocolo, ajustando essas recomendações à nossa realidade e às práticas habituais, atendendo às particularidades do doente com SARS-CoV-2. Para que, de uma forma simples e clara, fosse fácil a todos os intervenientes abordar a via aérea da forma mais segura. Nessa abordagem, pela proximidade, a geração de aerossóis é tal que era preciso estabelecer regras.

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