expresso.ptexpresso.pt - 2 ago 13:38

Morte no aeroporto. Ministério Público faz reconstituição do crime

Morte no aeroporto. Ministério Público faz reconstituição do crime

Ainda há dúvidas sobre os contornos exatos da morte de Ihor Homeniuk. Processo pode vir a ter mais arguidos ou resultar noutras acusações

Óscar Ferreira, o procurador do Ministério Público (MP) que está a conduzir a investigação à morte do imigrante ucraniano Ihor Homeniuk, em março nas instalações do Aeroporto de Lisboa, decidiu fazer uma reconstituição do crime para perceber exatamente as circunstâncias em que tudo aconteceu.

O Expresso sabe que os três inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) suspeitos de matarem à pancada o imigrante a quem tinha sido negada a entrada em Portugal não foram convocados para esta reconstituição, que será feita pelos seguranças da Prestibel que estavam de serviço naquela noite e que são as únicas testemunhas do crime.

Uma destas testemunhas, uma segurança romena que já terá emigrado para a Alemanha, foi ouvida para memória futura e declarou que Ihor Hameniuk já tinha sangue no nariz e na boca e um hematoma na cabeça antes de os três inspetores entrarem na sala e, segundo os indícios recolhidos pelo MP, terem sovado o imigrante de tal maneira que acabaram por provocar a sua morte.

Além de tentar perceber quem é que esteve com o imigrante ucraniano nas oito horas em que este passou trancado na sala do aeroporto, o procurador do MP também quererá apurar se houve omissão de auxílio por parte dos seguranças, que não intervieram, apesar de terem ouvido gritos depois de os três inspetores do SEF lá terem entrado. “Eles são polícias, nós somos seguranças”, explicou Mihaela Andrei.

A acusação estará prestes a ser concluída e os inspetores Sousa, Silva e Laja, que estão em prisão domiciliária desde março deste ano, deverão ser acusados de homicídio com dolo e não qualificado porque a investigação não concluiu que tivessem a intenção de matar quando agrediram Ihor.

Já depois de ter sido declarado morto e de o INEM ter sido chamado ao aeroporto, um outro inspetor do SEF preencheu um documento oficial em que declarava que o ucraniano tinha sido encontrado na rua. Deverá ser acusado de falsificação, muito provavelmente num processo à parte. O crime foi encoberto, mas uma carta anónima lançou a PJ na pista do homicídio.

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