expresso.ptexpresso.pt - 2 ago 11:33

Elvas transforma lagar em residência para estudantes

Elvas transforma lagar em residência para estudantes

O Lagar dos Lopes vai ser resgatado ao abandono. Em Évora será construída uma residência de raiz

Há alunos que optam por não estudar em Elvas por falta de alojamento. A lacuna foi detetada pelo Instituto Politécnico de Portalegre (IPP) que tem na cidade fronteiriça a Escola Superior Agrária onde estudam 500 alunos.

“Na cidade há uma única residência de estudantes, com capacidade para 70 camas e é preciso aumentar a oferta de alojamento”, afirma Albano Silva, presidente do Politécnico de Portalegre.

A escolha recaiu no antigo Lagar dos Lopes, um edifício devoluto no centro da cidade “e próximo do Centro de Animação e Formação Equestre, situado no Museu Militar de Elvas, onde os alunos têm as aulas práticas do curso de equinicultura”, explica Albano Silva. Na cidade “os privados não conseguem responder às necessidades dos estudantes, que procuram casas com alguma comodidade, próximas da escola e em que não haja problemas com os recibos dos alugueres”.

“Nos últimos anos temos registado inúmeras dificuldades na capacidade de alojamento. O mercado privado não tem conseguido dar resposta e daí projetou-se esta nova residência”, corrobora Nuno Mocinha, presidente da Câmara de Elvas.

“Depois das obras de transformação, o Lagar dos Lopes permitirá duplicar a capacidade de alojamento”, explica o presidente do IPP.

O lagar, foi adquirido “pela autarquia de Elvas por €200 mil e será cedido à Escola Superior Agrária por um período de 20 anos”, conta o presidente da CME. O concurso público para a empreitada de adaptação do edifício, com um preço base de €3,2 milhões, já foi lançado. A solução “permitirá recuperar património edificado, o que é sempre bom e dar a este prédio uma nova utilidade, que resulta em desenvolvimento futuro”, defende Nuno Mocinha.

Localizado no Largo de São Domingos, em pleno centro histórico, o antigo lagar ficará com capacidade para cerca de 70 pessoas. A outra residência para estudantes que existe em Elvas, “que resulta da transformação de um hotel, também com 70 camas, será igualmente reabilitada”.

A obra vai decorrer por um período de dois anos, com os trabalhos a arrancar no final deste ano e está enquadrada no Plano de Desenvolvimento Urbano. A proximidade do campo militar, “onde os alunos têm as aulas práticas é uma enorme vantagem num projeto que surge enquadrado no plano de reabilitação urbana”, explica o autarca. A empreitada conta com financiamento de €2 milhões, através dos fundos comunitários. A autarquia prevê gastar €800 mil com “projetos e equipamento, o que eleva para €4 milhões o total de investimento”, acrescenta Nuno Mocinha.

Mais a sul, em Évora, também há problemas com a falta de alojamento para estudantes. Mas, aqui é o sector social que vai construir uma nova residência.

A União Distrital das Instituições Particulares de Solidariedade de Évora comprou já “um terreno na cidade, junto ao Hospital do Espírito Santo, onde foram investidos €100 mil, para ali construir uma residência de estudantes com 50 camas”, afirma o presidente. Tiago Abalroado esclarece que este “é um primeiro passo, a que se segue a elaboração do projeto e a procura de financiamento, através de doações e de mecenas”. À semelhança de Elvas, também em Évora “há escassez de alojamento para estudantes” pelo que o projeto “está encaminhado para ficar concluído em dois anos”. A futura residência “será construída de raiz e vai responder à enorme procura dos estudantes, que se deparam com um mercado de arrendamento de preços elevados, em que um quarto pode custar entre os €150 e os €300, dependendo das características e da zona”, explica Abalroado. As perspetivas da União das IPSS é que “na primavera de 2022 a nova residência possa entrar ao serviço”.

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