expresso.ptRuI Vieira Nery - 1 ago 10:06

Amália, entre a memória e o mito

Amália, entre a memória e o mito

Esta é uma “oportunidade para ficarmos a saber mais sobre a realidade da vida de Amália, furando o denso nevoeiro de mitos, meias verdades e manipulações descaradas”, defende o coordenador das comemorações do centenário da fadista

1Nunca poderemos, claro está, ouvir a voz de Maria Severa Onofriana, o ícone fundador do fado de Lisboa. Décadas após a sua morte, em 1846, à medida que a sua aura mítica ia crescendo, os que ainda a tinham podido conhecer — Luís Augusto Palmeirim, Bulhão Pato, Miguel Queriol, já em 1901 — esforçavam-se por encontrar as palavras certas para explicar aos seus interlocutores mais jovens o que tinha sido o impacto profundo da sua voz e do seu canto, mas também da sua dança sensual, da sua beleza sedutora, do seu senso de humor acutilante, da sua personalidade caprichosa e independente. Ao ler hoje esses testemunhos, percebe-se bem a dificuldade de verbalizar esse verdadeiro feitiço que a Severa parecia exercer à sua volta, como artista e como mulher, e os adjetivos empolados dos relatos soam-nos de algum modo a falso, como se fossem uma tentativa falhada de captar numa fotografia instantânea a dinâmica do voo de um pássaro em movimento.

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