expresso.ptexpresso.pt - 1 ago 19:34

Reportagem. Noventa dias de calamidade, nos bairros sociais de Santa Clara, em Lisboa

Reportagem. Noventa dias de calamidade, nos bairros sociais de Santa Clara, em Lisboa

Solidariedade e segregação habitam lado a lado nos bairros sociais de Santa Clara, em Lisboa, uma das freguesias mais atingidas pela pandemia e que com outras 18 da Grande Lisboa estiveram mais tempo com mais restrições. Sábado passaram à situação de contingência

O ritual repetiu-se todas as quintas-feiras dos últimos três meses: com rapidez e eficiência, voluntários transportam alimentos de uma carrinha para dois carros, que seguem depois para a associação de moradores, onde o trabalho continua: dividem-se caixas de ovos, batatas, alfaces e pão em sacos de plástico que serão entregues aos que mais precisam. “Foi um acordo que fizemos com a Câmara. Eles compram os alimentos aos comerciantes que foram afetados pelo fim das feiras e doam-nos para distribuirmos”, diz Mauro Wah, da associação de moradores PER 11, um dos bairros sociais da freguesia de Santa Clara, a única do concelho de Lisboa que permaneceu até agora em estado de calamidade. A partir de hoje, juntamente com as restantes 18 freguesias da Grande Lisboa mais afetadas pela pandemia, passa a situação de contingência, embora mantendo restrições mais apertadas do que no resto do país, como toda a área metropolitana.

Na sede da associação, tudo está organizado para não haver “injustiças” na distribuição da ajuda: há listas com os nomes das famílias e o respetivo agregado familiar e ao primeiro sinal de conflito Mauro intervém para sossegar os ânimos.

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