expresso.ptClara Ferreira Alves - 1 ago 08:34

Vícios públicos, virtudes privadas

Vícios públicos, virtudes privadas

Nunca se precisou tanto do Estado, mas dificilmente se poderá dizer que o Estado está à altura. Falhou, continuará a falhar

Perderam-se em Portugal mais de 225 mil empregos durante a pandemia. É provável que o número seja superior, isto é o que a estatística nos oferece. Ao mesmo tempo, o calmante Victan esgotou e só será reposto o stock em outubro. Os médicos tentam substituir por outros fármacos, mas os outros fármacos começam também a ter disrupções de stock. As pessoas têm, a acrescentar à ansiedade pelo presente e o futuro, à privação e ao medo de tudo, da doença e da miséria, ou só um medo vago que permeia a nossa respiração e a dessincroniza, a ansiedade da falta do medicamento. O desemprego contribuirá muito para este estado de coisas.

Mas existe uma classe, sempre protestante e sempre reivindicativa e sempre queixosa, que não tem medo de perder o emprego. A Função Pública. Onde existem muitos e bons e escrupulosos servidores da causa pública, bons prestadores de serviços. E onde existem também preguiçosos, privilegiados, arrogantes e amoralistas, sentados na sinecura e na certeza de que venha sol ou chuva, o emprego e as mil alcavalas do salário, sempre disfarçado por essas alcavalas e nunca um salário real, estão seguros. Carregado de compensações, escalões, subsídios, diuturnidades, apoios e promoções arbitrárias e inexplicáveis que fazem do Estado e da máquina do Estado em Portugal um albatroz que todos nós, contribuintes, carregamos ao pescoço.

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