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Banca lucra quase 3 milhões por dia no 1.º semestre

Banca lucra quase 3 milhões por dia no 1.º semestre

Juntos, a Caixa Geral de Depósitos, o Santander Totta, o BCP e o BPI lucraram 540,5 milhões nos primeiros seis meses do ano, ainda assim, uma queda face a igual período do ano passado. Só Novo Banco contraria tendência ao apresentar prejuízos de 555,3 milhões.

Dos cinco maiores bancos, apenas o Novo Banco apresentou prejuízos nos primeiros seis meses do ano. Ao contrário da maioria das instituições financeiras, só a entidade liderada por António Ramalho apresentou perdas de 555,3 milhões. Os restantes – Caixa Geral de Depósitos, Santander Totta, BCP e BPI – apresentaram no total lucros de 540,5 milhões de euros no primeiro semestre. Feitas as contas, estes quatro bancos lucraram quase três milhões de euros por dia. 
Mais uma vez, o campeão dos resultados é a Caixa Geral de Depósitos ao apresentar um resultado positivo de 249 milhões de euros o que, ainda assim, representa uma queda de 41% face ao mesmo período do ano anterior, altura em que lucrou 417 milhões de euros. A entidade liderada por Paulo Macedo destaca "um resultado extraordinário de 51 milhões de euros (depois de impostos) decorrentes de ganhos atuariais nas responsabilidades com benefícios pós emprego".
Ao mesmo tempo, o banco público constituiu ainda 156 milhões de euros em imparidades de crédito e provisões para garantias bancárias como resultado dos efeitos da pandemia de covid-19. 
A margem financeira caiu 44,7 milhões de euros face ao mesmo período do ano passado, "dada a atual conjuntura de taxas de juro e particularmente os elevados reembolsos antecipados de crédito por parte de entidades públicas ocorridos em 2019, dado o baixo custo de financiamento do Estado".
Já as comissões aumentaram 1% face ao período homólogo, enquanto os resultados de operações financeiras registaram um valor positivo de 39,4 milhões de euros. 
Por outro lado, os custos de estrutura totalizaram 411,7 milhões de euros nos primeiros seis meses do ano, "o que se traduziu numa redução de 12,9% face ao primeiro semestre de 2019". Esta "evolução positiva, transversal a todas as componentes dos custos de estrutura, foi especialmente significativa" na diminuição dos custos com pessoal ao caírem 14,7%.

Santander também em queda

Já os lucros do Santander Totta ascenderam a 172,9 milhões de euros nos primeiros seis meses do ano, um decréscimo homólogo de 37,3%. O produto bancário ascendeu a 659,4 milhões de euros, uma redução de 6,3% face ao período homólogo. Já os custos operacionais, no montante de 287,8 milhões de euros, registaram um decréscimo de 5,1% em termos homólogos, "motivo pelo qual o resultado de exploração se reduziu em 7,3%, e o rácio de eficiência aumentou em 0,5pp, para 43,6%", explicou a instituição financeira liderada por Pedro Castro e Almeida, em comunicado.
A margem financeira situou-se em 399,3 milhões de euros, uma redução homóloga de 6,9%, "o que traduz essencialmente a descida das taxas de juro do crédito, num contexto concorrencial ainda elevado e de diminuição da procura de crédito por empresas fora do âmbito das linhas com garantia do Estado, e a gestão da carteira de dívida pública".

Lucro do BCP também cai

Também o BCP registou, no primeiro semestre, um resultado líquido de 76 milhões de euros, uma variação negativa homóloga de 55,3%. O banco explica que os resultados deste ano foram influenciados pelo contexto da pandemia de covid-19.
Em Portugal, o resultado líquido da atividade cifrou-se em 45,2 milhões de euros, revelando-se inferior aos 72,7 milhões de euros obtidos no mesmo período do ano passado, diz o banco. "Para esta evolução contribuíram largamente quer a constituição de imparidade para riscos de crédito associados à pandemia covid-19, que ascendeu a 87,9 milhões de euros, quer a reavaliação de fundos de reestruturação empresarial no montante de 67,5 milhões de euros".
O banco explicou ainda que os custos operacionais ascenderam a 540,7 milhões de euros nos primeiros seis meses do ano, que comparam com 519,7 milhões de euros registados nos primeiros seis meses de 2019.

Resultados do BPI deslizam
O BPI teve lucros de 42,6 milhões de euros no primeiro semestre, menos 68% do que no mesmo período do ano passado, tendo registado 83 milhões de euros em imparidades. O banco explica que as imparidades criadas entre janeiro e junho foram de "caráter preventivo", relacionadas com a crise económica desencadeada pela covid-19.
Na atividade em Portugal, o lucro foi de 6,5 milhões de euros, menos 92,6% face a período homólogo. Ainda assim, o presidente executivo indigitado do BPI, João Pedro Oliveira e Costa, classificou esta sexta-feira os lucros de 42,6 milhões de euros como um resultado bom, dada a conjuntura económica associada à pandemia de covid-19.

Novo Banco em contraciclo

Já o Novo Banco registou prejuízos de 555,3 milhões no primeiro semestre deste ano, um valor que representa um agravamento face às perdas de 400 milhões que tinham sido registadas em igual período do ano passado. 
A instituição financeira revelou ainda que os resultados negativos são justificados por quatro fatores: perdas de 260,6 milhões de euros que resultam "da avaliação independente aos fundos de reestruturação"; um impacto de 138,3 milhões de euros com a "imparidade adicional" constituída para cobrir ""iscos de crédito decorrentes da pandemia covid-19"; outros 78,7 milhões de euros relacionados com a cobertura de risco de taxa de juro de títulos de dívida pública portuguesa; e 26,9 milhões de euros de «reforço da provisão para reestruturação".

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